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Tanques-rede no projeto de piscicultura Bompeixe, no Parque Aquícola Sucupira, em Palmas (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
Tanques-rede no projeto de piscicultura Bompeixe, no Parque Aquícola Sucupira, em Palmas (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Por Antônio Oliveira

Durante os dias 13, 14 e 15 deste mês de junho, um grupo formado por 11 produtores de tilápias e peixes nativos do Brasil, com atuação no Distrito Federal, esteve visitando projetos de piscicultura em Palmas e em Almas, no Sudeste do Tocantins. A iniciativa foi do Sebrae-DF em parceria com a revista Cerrado Rural Agronegócios e PISCISHOW, com o apoio da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO), Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins) e secretarias de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciências, Tecnologias, Cultura e Turismo (Seden), e do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro).

A visita começou, na manhã dia 13, pela Embrapa, onde esses piscicultores foram recepcionados por representantes do Governo do Tocantins – Junior Pelizari, presidente do Ruraltins; Marcondes Martins, Diretor de Arranjos Produtivos da Seden; Thiago Tardivo, gerente de Pesca e Aquicultura da Seagro -, e do Chefe Geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Alexandre Freitas.

Duas palestras foram apresentadas aos visitantes. Uma sobre o trabalho que este Centro Nacional de Pesquisa realiza na área da pesca e aquicultura em todo o Brasil, proferida por Alexandre Freitas, e a outra por Thiago Tardivo, sobre o potencial do Tocantins para a piscicultura e sua abertura para o cultivo da tilápia em tanques-rede.

O grupo visita parte das instalações da Embrapa (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
O grupo visita parte das instalações da Embrapa (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Logo após as duas palestras, ouvidas com bastante atenção e interação, o grupo, ciceroneado por Freitas, visitou parte das instalações do Centro (um instituto de pesquisa tem suas restrições de visitas por problemas de sanidade, estratégia e sigilo, conforme explicou o gestou desta Unidade).

A presidente da Associação Peixebom, Marinalva Ferreira, fala sobre o projeto (Foto: Antônio Oliveirra/Cerrado Rural Agronegócios)
A presidente da Associação Peixebom, Marinalva Ferreira, fala sobre o projeto (Foto: Antônio Oliveirra/Cerrado Rural Agronegócios)

No período da tarde deste mesmo dia, os piscicultores do DF visitaram o projeto de piscicultura em tanques-rede da Associação Bompeixe, no Parque Aquícola Sucupira, ao norte do Lago da Usina do Lajeado e de Palmas. No projeto, os visitantes foram recebidos pela presidente da Associação, Marinalva Ferreira de Assis e pelo vice-presidente, que também é aquicultor no Projeto, Enoque Mendes Ferreira. Por meio de explanações do casal anfitrião, visitantes conheceram sobre a Associação que é formada por pequenos aquicultores, antes, em sua maioria, pescadores artesanais. A área deles está dentro da denominada não-onerosa, ou seja, área destinada para aquicultores familiares. Em seguida, finalizando a visita e as atividade do dia, os visitantes navegaram até alto lago para conhecer o processo de produção de peixes nativos nos tanques-rede. A Associação planeja investir, também no cultivo de tilápia, tão logo esta seja liberada para tanques-rede no Estado.

Valteir, gerente da Pescados Piracema, mostra o processo de abate e embalagem do peixe (Foto: Anahyny Aquino/Cerrado Rural Agronegócios)
Valteir, gerente da Pescados Piracema, mostra o processo de abate e embalagem do peixe (Foto: Anahyny Aquino/Cerrado Rural Agronegócios)

Agroindústria

No dia seguinte, 14, logo pela manhã, o grupo de piscicultores visitante rumou para a cidade de Almas, a 290 quilômetros de Palmas, onde conheceu as instalações de um dos mais modernos complexos de cultivo e beneficiamento de peixes do Norte e Nordeste do Brasil, a Pescados Piracema. A empresa tanto tem criação própria de peixes nativos, quanto compra de terceiros peixes nativos, a exótica tilápia e até peixes marinhos para terminá-los em cortes especiais e embalados em vários pesos, que abastecem o Tocantins, Brasília, Goiânia e várias outras cidades do Brasil.

Processo de embalagem primária na Pescados Piracema (Foto: Anahyny/Cerrado Rural Agronegócios)
Processo de embalagem primária na Pescados Piracema (Foto: Anahyny/Cerrado Rural Agronegócios)

Com investimentos da ordem de R$ 10 milhões e uma preocupação com a produção de forma sustentável e de valorização de seus recursos humanos, a empresa gera 130 empregos diretos, contratados na própria cidade de Almas. Atualmente, a empresa desenvolve um projeto pioneiro no Tocantins, que é o de produção agregada.

Ela mantém uma reserva de flora e fauna conservacionista que colabora com entidades ambientais, acolhendo animais silvestres capturados fora de seu habitat natural e em situação de risco.

Vista parcial do conjunto de tanques do senhor Antônio Adriano (Foto: Antônio Oliveira)
Vista parcial do conjunto de tanques do senhor Antônio Adriano (Foto: Antônio Oliveira)

De volta a Palmas, na sexta-feira, 15, último dia da visita, os visitantes do Distrito Federal, ainda acompanhados por Cerrado Rural Agronegócios e PISCISHOW e de extensionistas e diretores das instituições do Governo do Tocantins, foram levados para conhecer um dos mais belos projetos de piscicultura em tanques-rede no Tocantins, a propriedade aquícola do empreendedor Antônio Adriano Ribeiro, a 35 quilômetros de Palmas.

O Projeto, com 10 hectares de lâminas d´água, possui 23 tanques escavados, de variados tamanhos, que são alimentados, por meio de canaletas d´água, por duas represas de água de ótima qualidade, inclusive para o consumo humano. Estrutura hídrica e de produção são conjugadas com uma paisagem de rara beleza, como área dos entre tanques toda gramada, quiosques e duas belas quedas d´água caprichosamente construídas pelo senhor Antônio Adriano, de 65 anos. A estrutura conta, também, com um pequeno abatedouro em fase de conclusão e estrutura para fabricar parte da ração usada na criação própria de peixes.

A receptividade e cordialidade do senhor Antônio Adriano foi tão grande que ele mesmo subiu numa árvore para apanhar maracujá para seus visitantes.

O Engenheiro Ambiental Dyego Santana e o empresario Antônio Adriano falam para os visitantes (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
O Engenheiro Ambiental Dyego Santana e o empresario Antônio Adriano falam para os visitantes (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Importância desta interação

O Chefe Geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Alexandre Freitas, em entrevista a Cerrado Rural Agronegócios, disse considerar que essas missões técnicas de empresários e técnicos de outros estados têm, além da oportunidade para o Estado atrair novos investidores, a de intercâmbio de conhecimentos, informações diferentes.

– Acredito, também, que eles têm a oportunidade de interagir conosco, na medida em que eles apresentam suas demandas. E a gente também pode estar visualizando outros públicos que poderemos estar atendendo em nossos projetos e, obviamente, é uma oportunidade para que o Centro apresente seu trabalho e amplie o seu raio de ação e que as pessoas reconheçam no Centro (de pesquisas) um espaço de produção e inovação para piscicultura – disse.

O empresário Tarik Azevedo, proprietário da Pescados Piracema, que, juntamente com o gerente de seu empreendimento em Almas, o Engenheiro de Alimentos, Valteir Rosa Valadares, recebeu a comitiva do Distrito Federal, disse à Cerrado Rural Agronegócios que visitas de produtores a uma planta industrial, no caso do peixe, é muito importante, pois é uma oportunidade deles entenderem todo o processo pelo qual o peixe passa, em sua fase de beneficiamento, para chegar a ponta final, que é o consumidor.

– Muitas vezes o produtor não entende o preço que ele ver nas gôndolas e o preço que ele vende para o frigorifico. É uma distância muito grande. Por isto, ele vindo ao frigorífico, vendo todo os processos produtivos que o peixe é obrigado a passar, ele começa a entender quando se fala em cadeia produtiva, que é desde o processo dele, inicial, a produção do pescado, até o ponto final, que é o consumidor – pontuou.

Este repórter e o empresário Tarik Azevedo falam aos visitantes (Foto: Anahyny Aquino)
Este repórter e o empresário Tarik Azevedo falam aos visitantes (Foto: Anahyny Aquino)

O empresário disse ainda que, toda a sua preocupação com a qualidade e sustentabilidade visa a atender aos anseios de um excelente produto, com certificado de origem, qualidade e, sem dúvida, com a questão ambiental.

– Isto, hoje, nós nem repassamos os custos para o consumidor final. Na verdade a gente está chamando a sociedade para participar desta questão ambiental – concluiu.

Já o outro empreendedor anfitrião da comitiva visitante, Antônio Adriano Ribeiro, classificou essas visitas como muito importante, pois, conforme ele, é quando ocorrem trocas de informações e de conhecimentos, principalmente em se tratando de encontro de pessoas de diferentes regiões e realidades de produção.

– Nós sabemos que a atividade de piscicultura tem diferentes práticas em diferentes regiões. Então, essas visitas são de fundamental importância tanto para quem faz a visita, quanto para quem as recebe – pontuou.

Representando o Ruraltins, a quem coube determinar a propriedade do senhor Antônio Adriano como uma das pisciculturas a serem visitadas, Dyego Santana Reis, que é Engenheiro Ambiental, disse que, para a extensão rural, essas visitas têm a importância do page make, que é copiar aquilo que um produtor já fez de melhor. Ainda conforme ele, consegue-se fazer várias reproduções de um piscicultor que já tem uma experiência vasta com outros piscicultores que ainda estão iniciando suas atividades.

– Existem erros que a gente vai evitar cometê-los, se a gente está mostrando para aquele produtor que está iniciando atividade, a experiência de alguém que já fez ou faz, que já trilhou o mesmo caminho que ele. E o importante é que o produtor veja para ele crer que dá certo, que aquele caminho tem condições de ter sucesso – pontuou.

Marcondes Martins, diretor de Arranjos Produtivos da Seden, que também acompanhou a comitiva do DF, durante os três dias, avaliou as visitas como uma troca de experiência muito importante, uma vez que houve a troca de informações de novas tecnologias. Ele lembrou, por exemplo, que durante a visita a Pescados Piracema, um produtor visitante viu uma forma de prevenção de ataque de predadores com fios de nylon.

– Foi quando ele disse que se tivesse ido lá antes, não teria adquirido telas de nylon, bem mais caras, para este tipo de proteção – exemplificou.

O Diretor considerou também que essas visitas sempre oferecem uma oportunidade de atrair novos investidores para o Estado.

– A gente tem esta expectativa que, de repente, um deles tenha este interesse de investir no Estado. Além do mais, para nós do setor público é sempre uma satisfação de estar recebendo outros companheiros de produção – concluiu.

Francisco Pereira Baia, piscicultor e técnico do Sebrae-DF, disse que ele e seu colegas de caravana perceberam que o Tocantins, especialmente a região de Palmas, tem um grande potencial aquícola onde se investir.

– Comparado ao Distrito Federal, onde nós temos produção, aqui falta, ainda, um pouco de tecnologia aplicada à produção, tendo em vista a baixa densidade que é usada aqui por metro quadrado. Logicamente, há um volume de água muito grande, isto é um fator diferenciado do nosso, que não temos este volume de água. Por isto, por não termos este volume de água, nós utilizamos tecnologias que compensem a essa falta. Lá, para você ter uma ideia, a média de produção por metro quadrado varia de 3 a 10 peixes. Aqui a gente percebe que não chega a um – considerou.

Baia ponderou ainda:

– Se vocês, do Tocantins, conseguissem agregar a tecnologia ao volume de água que vocês têm disponível, e também a área, eu acho que vocês teriam todas as possibilidades de tornar o Tocantins, principalmente Palmas, num dos maiores produtores de tilápia do país.

O empresário Antônio Adriano recebe um chapéu do Sebrae-DF da coordenadora Patrícia Ferreira (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios )
O empresário Antônio Adriano recebe um chapéu do Sebrae-DF da coordenadora Patrícia Ferreira (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios )

José da Silva Viana, produtor de peixe em São Gabriel de Goiás, no entorno de Brasília, e integrante da comitiva do Sebrae-DF, disse que a impressão que leva do Tocantins é a quantidade de água, a organização, a assistência técnica que os produtores da região recebem do órgão público de extensão rural (Ruraltins) e da Embrapa,

– O que quase não temos no nosso município que pertence a Goiás. Se eu tivesse a temperatura daqui em minha fazenda eu produziria por metro quadro três a quatro vezes mais – pontuou.

Arrematando essas considerações, Patrícia Ferreira Batista, coordenadora no Sebrae-DF e chefe da Missão PISCISHOW no Tocantins, considerou de fundamental importância essas visitas pela troca de experiências, a visão do potencial do Tocantins e a cordialidade com a qual o grupo foi recebido.

Filha técnica

A Missão Técnica PISCISHOW é uma iniciativa do Sebrae-DF, em parceria com a revista Cerrado Rural Agronegócios e PISCISHOW, com o apoio da Embrapa Pesca e Aquicultura, Ruraltins, e das secretarias do Estado do Tocantins do Desenvolvimento Econômico, Ciências, Tecnologias, Turismo e Cultura e do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária.

O grupo

Integram a comitiva as seguintes pessoas:

Carlos André Cursino Roriz,Ramon Aknatom Gonçalves Roriz, Ildomar Barbosa de Freitas, Leandro Oliveira Alves, Francisco Pereira Baia, José da Silva Viana, Isaias Barbosa de Brito, Venício Pereira Toledo, Flávio Rogério Hautsch Reinehr, Maria Odete Rodrigues David, Geraldo José Lara, a coordenadora Patrícia Ferreira Batista e Ivan Bernardoni Nakandakare, consultor do Sebrae-DF e Supervisor do Programa de Assistência Técnica e Gerencial -ATeG – Senar/Sebrae-DF.

 

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