“O historiador e o poeta não se distinguem um do outro pelo fato de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso. Diferem entre si, porque um escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter acontecido” (Aristóteles)

Estava programado para eu lançar o meu mais novo livro – “O Homem Abílio Wolney” – durante as solenidades alusivas aos “100 anos do Barulho” (tragédia, em consequência da intolerância e disputas políticas que culminou na chacina de 9 filhos de minha terra natal, Dianópolis, no sudeste do Tocantins, em 1919, e que teve como principais protagonistas os líderes políticos goianos Totó Caiado e Abílio Wolney – um líder no sul e o outro no norte de Goiás, hoje Tocantins), entre os dias 16 e 19 deste mês.

Não fui e fiquei calado em relação aos motivos para não estragar a festa dos meus conterrâneos ilustres, mesmo sabendo que algumas pessoas de destaque no Governo do Tocantins e acadêmicos das academias de Letras de Palmas e do Tocantins estariam presentes em função, também, do evento da minha obra. Mas, agora que a festa passou, tenho a obrigação de explicar esses motivos.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Ao pesquisar quase dez obras literárias sobre meu principal personagem, o Cel. Abílio Wolney, e ouvir familiares e pessoas vivas que conviveram e até mesmo escreveram sobre ele, eu tinha o meu objetivo-foco: abordar algumas nuances do personagem que nenhum outro autor escreveu, não o de fazer julgamentos ou afirmações contra a pessoa em tela para satisfazer o ódio e as mágoas que ainda existem entre famílias descendentes das vítimas daquela chacina. Fui fiel ao que propus a pesquisar e compor a obra. E seria, da mesma forma, fiel, se me dispor a pesquisar e escrever sobre outras nuances do meu personagem real.

O livro gerou polêmica bem antes de ser anunciado ao público: uma das fontes vivas pesquisadas relatou detalhes que até então eu desconhecia. Anotei seus detalhes e como jornalista e no papel de historiador, fui ouvir o outro lado – o da família Wolney. Publiquei as duas versões. Mas, mesmo assim, essa fonte, a quem sonhei muito para ser a prefaciadora de minha obra, apenas me entregou um bilhete comunicando que não escreveria em meu livro, o que foi feito de forma equilibrada pelo Juiz de Direito da Comarca de Goiânia, um dos biógrafos do Cel. Wolney e seu neto, Abílio Wolney Neto. Aliás, num primor de texto, um dos mais lindos que já descrevendo algo.

“Tolerei todos os ataques, menos os que insinuaram ser eu jornalista e escritor de aluguel. Aí, não! Tenho 40 anos de jornalismo,  nunca vendi opinião, nunca deixei que me manipulassem. Da mesma forma, na literatura”

A organização do “100 Anos do Barulho”, criou um grupo no WhatsApp para os debates sobre o evento e a história a ser reverenciada. Porém o grupo não ficou só nisto. Teve uma sequência de acirradas discursões e ataques de membros de famílias descendentes das vítimas da histórica tragédia contra o Cel. Abílio Wolney e seus familiares. Teve até um alienígena que entrou nesta. Este me atacou e até me monitorou. Me coloquei ao lado dos Wolney, não só pela minha amizade com a família, mas por entender que, na história, a gente só pode dizer o que ficou provado por meio das pesquisas de qualquer historiador e jornalista. Escrever história é pesquisar, é ouvir, é ter dados concretos para colocar no papel. E o que queriam aqueles é que eu entrasse no coral deles.

Tolerei todos os ataques, menos os que insinuaram ser eu jornalista e escritor de aluguel. Aí, não! Tenho 40 anos de jornalismo, como colaborador de empresas de comunicação e como empreendedor, nunca vendi opinião, nunca deixei que me manipulassem. Da mesma forma, na literatura. Sempre, como homem público – nessas funções – fui muito transparente. Nasci pobre e continuo pobre.

Saí do grupo e, para não ser hostilizado durante a noite de autógrafos –e reagir a altura -, ao lado de outros escritores da terra, recusei-me a ir ao evento, mesmo com o coração nas mãos.

Com isto, não me apressei em ir ao Rio de Janeiro buscar, pessoalmente, os livros, optando por uma transportadora e, depois, como esta me apresentou um preço absurdo, encarreguei a um amigo que mora naquela cidade e que tem negócios em Goiás, se encarregar desta tarefa e a obra deverá estar em Palmas até dez de fevereiro.

Seu lançamento está marcado para 14 de março em Palmas e 21 do mesmo mês em Barreiras, onde meu personagem teve forte atuação política e empreendedora.

Isto posto, peço desculpas a quem contrariei.

Antônio Oliveira