Tocantins precisa sair de sua timidez aquícola (Foto: Governo do Tocantins)
Tocantins precisa sair de sua timidez aquícola (Foto: Governo do Tocantins)

Por Antônio Oliveira

Segundo o Anuário Peixe BR 2019, de 2017 para 2018, o Tocantins registrou um crescimento de apenas 0,7% na sua piscicultura, 46,7% a menos do que foi registrado no vizinho Maranhão, que vem crescendo muito neste setor e que pode puxar para ele, investidores já instalados ou com interesse em terras ou águas tocantíneas, principalmente, atraídos pelos lagos das usinas hidroelétricos.

E sabe por que o Maranhão teve este salto de quase 50% de um ano para o outro? Justamente porque saiu mais da retórica e foi para a ação em diversos campos que beneficiam o bom andamento da piscicultura.

Não se pode negar que o Tocantins, por meio do atual governador Mauro Carlesse – mais com trabalhos já iniciados no governo de seu antecessor, Marcelo Miranda, embora este, como dono da caneta e com poder de ordenar ações,  foi lento neste processo -, teve um avanço muito grande liberando o cultivo de tilápias em tanques rede em águas dos lagos do Tocantins. Outro avanço, exclusivo do governo Carlesse, foi a isenção, até o final deste ano (com a prorrogação a depender do Conselho Fazendário Nacional) de ICMS da cadeia do peixe. Contudo, ainda há muita retórica, muita gente no governo fazendo da piscicultura vitrine ilusória e palanque político-partidário.

Ouvindo aqui, ouvindo acolá grandes atores, pequenos atores,  privados ou oficiais desta cadeia – técnicos, realmente preocupados e engajados no crescimento desta cadeia produtiva -,  cheguei a conclusão que o Tocantins, no balanço da piscicultura brasileira de 2018/2019 não vai registrar crescimento e nem se estacionar nos números de 2017/2018. Pior: pode cair entre 3% e 5%, ou mais.

E os problemas que vão contribuir com esses resultados negativos não são exclusivos do governo do estado, mas que exigem atuação mais agressiva dele. É uma série de questões que envolvem governo, produtores, mercado (interno e externo), falta de organização da cadeia produtiva, inclusive em associativismo/cooperativismo, de fomento, estrutura, logística, custos, etc.

Unidades de produção e industrialização passam por momentos difíceis, uns fechados, ou fechando,  ou operando com capacidade reduzida; outros migrando de região dentro do estado ou para outro estado. De um lado falta produto para abastecer frigoríficos, que vão buscar o peixe muito longe daqui, até importado-o; do outro, pequenos produtores sem conexão, ou afinidade com a agroindústria. Não se deve incluir neste meio, as grandes empresas de alevinagem e melhoramento genético instaladas e em instalação no Estado. Estas têm know how e organização, não dependem ou dependerão exclusivamente da demanda interna.

E é neste contexto que se precisa que produtores e seus representantes, agroindústrias e governos – coloquei governo no plural, porque se exige, também, neste processo, o envolvimento dos prefeitos de municípios produtores -, sentem-se à mesa e analisem o raio x da piscicultura tocantinense, procurando os meios de se sanar os problemas que travam o desenvolvimento desta cadeia no Tocantins.

Ainda é tempo, esqueçamos as divergências nas áreas pública e privada, os jogos de interesses pessoais, vaidades e as operações de puxa-tapete de um ou de outro (que, infelizmente, está existindo no Tocantins, prejudicando o todo e isto é  não papel de verdadeiros líderes públicos e privados); esqueçamos e não façamos da piscicultura tocantinense palanque político e de vaidade e vamos sair do ponto-morto em marcha-lenta e  engatar logo a segunda, terceira, quarta e quinta marcha deste processo, fazendo-o rodar plenamente com destino a prosperidade para todos.