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Painel sobre cooperativismo durante o 3º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio debateu a relação e a mútua contribuição entre os jovens e as cooperativas (Foto: Divulgação)
Painel sobre cooperativismo durante o 3º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio debateu a relação e a mútua contribuição entre os jovens e as cooperativas (Foto: Divulgação)

Do Mundocoop*

Júlia Roberta Pinheiro tem 19 anos e trabalha na área comercial da Veiling Holambra, a maior cooperativa de flores da América Latina, como ela mesma diz. Ingressou na Veiling por meio de um programa de jovens aprendizes e depois de oito meses recebeu, com surpresa, a notícia de que seria efetivada.

– A cooperativa me proporcionou a inserção no mercado de trabalho – comenta.

A experiência da Júlia foi um dos exemplos apresentados no painel “Jovens e o futuro do cooperativismo: aprendizagem e sucessão”, parte da programação do 3º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, que aconteceu nos dias 23 e 24 de outubro, em São Paulo (SP). A realização desse painel foi resultado de uma aliança estratégica entre a Revista MundoCoop e a organização do evento.

Além de Júlia, também falaram sobre a relação entre os jovens e o cooperativismo Luciana Casarini, coordenadora de Formação Profissional do Sescoop/SP (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo), e Bruno Rangel Geraldo Martins, vice-presidente da Coplana Cooperativa Agroindustrial, da região de Jaboticabal (SP). A moderação do painel foi feita por Pedro Silveira, coordenador de Agronegócio da Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo).

Da mesma forma que o cooperativismo abriu oportunidades para Júlia e tantos outros jovens, o setor também passa a contar com a contribuição de profissionais que além do conhecimento técnico já trazem os conceitos do cooperativismo. Bruno Martins, por exemplo, que é engenheiro agrônomo, ingressou na Coplana por meio de um processo de jovens aprendizes.

– O atual presidente [José Antonio de Souza Rossato Junior] também veio do grupo de jovens –  acrescentou.

Para Bruno, uma das condições que aproxima os jovens do cooperativismo é a certeza de que há sucessão, pois significa que há possibilidade de crescimento profissional.

– A Coplana tem 55 anos e já estamos em nosso décimo presidente, ou seja, aproximadamente a cada cinco anos há uma troca no comando da cooperativa – comentou o dirigente.

Para aproveitarem essas oportunidades, os jovens precisam de capacitação.

– O viés da educação é fundamental para o desenvolvimento de qualquer empresa – enfatizou Luciana.

Um dos programas sob sua coordenação é o Aprendiz Cooperativo, que trabalha com os participantes os conceitos cooperativismo, como colaboração e respeito.

– O processo de aprendizagem também contribui para criar autonomia nesses jovens, assim amadurecem como profissionais e como cidadãos –  explicou.

Em dez anos, o Aprendiz Cooperativo já capacitou 10,5 mil jovens. Atualmente, 1,3 mil deles estão ativos no projeto, sendo que 60% são do sexo feminino. Luciana também chamou a atenção para o aproveitamento dos participantes, pois 52% deles foram efetivados nas cooperativas ou em alguma corporação próxima delas.

– Outro ponto importante é que ao passaram por diversos setores da empresa, durante esse processo de aprendizagem, os jovens não só descobrem as atividades com as quais mais se identificam como percebem aquilo que não querem fazer.

Pedro acrescentou que nesta relação é muito importante que os jovens sejam ouvidos, pois têm muito a contribuir com o setor, trazendo novas ideias e preocupações que podem ajudar no desenvolvimento das cooperativas

*Com edição de Cerrado Rural Agronegócios

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