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(Foto: Divulgação)
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Substituir árvores em fim de ciclo por variedades mais produtivas e resistentes. É o que pretende a Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia (Seagri), ao dar continuidade às ações do Programa de Desenvolvimento do Setor da Borracha Natural no Estado da Bahia (Prodebon).

Por meio de parceria com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), a meta é produzir mudas enxertadas a serem coordenadas pelas duas entidades na Estação de Una (Unidade Produtoras de Mudas), que possui 20 hectares sob irrigação, 10 hectares de jardim clonal com seringueiras e capacidade para produzir 1 milhão de mudas por ano.

– O objetivo é aumentar a produção no Estado e, principalmente, contornar a crise de produção que, desde 2014, vem afetando o setor. A união entre setor produtivo e governo do Estado, no incentivo à produção de mudas com maior qualidade genética, vai beneficiar toda a cadeia da borracha com o aumento da produtividade, suprindo a demanda interna – destaca o secretário da Agricultura, Vitor Bonfim.

A Bahia quer chegar a 100 mil hecatres de seringueiras até 2032. (Foto: Divulgação)
A Bahia quer chegar a 100 mil hecatres de seringueiras até 2032. (Foto: Divulgação)

A Bahia é o segundo produtor de borracha natural do país, responsável por 20% de toda produção nacional. Porém, ainda de acordo com a Seagri, como a maioria dos seringais baianos foram implantados no período de 1950 a 1970, a queda da produtividade e a decadência dos seringais culminaram no declínio desta cadeia produtiva, com reflexos negativos para as indústrias locais, principalmente a pneumática e de artefatos. Entretanto, considerando tratar-se de uma cultura de longo prazo, cuja produção inicia a partir do sétimo ano, espera-se melhores perspectivas de mercado para o segmento, quando as plantações já estarão renovadas.

A partir da implementação do Prodebon, o plantio das mudas de seringueira será baseado em sistemas agroflorestais (SAFs), modelo de produção consorciado com espécies agrícolas e forrageiras com ou sem a presença de animal, mas obrigatoriamente associadas às espécies florestais, garantindo o desenvolvimento da muda enxertada na fase inicial e elevado rendimento na fase de exploração da produção.

Além disso, continua o órgão da administração pública baiana, essa técnica de plantio favorece o aumento da produção de outros produtos agrícolas, a exemplo de banana, abacaxi, feijão e milho, a custo menor, com melhor qualidade e em quantidade suficiente para atender a demanda regional. A principal meta do Prodebon é implantar 100 mil hectares de seringueira até 2032, impulsionando a produtividade média de 600 kg/ha/ano para 2500 kg de borracha seca/ha/ano. Com plantios mais tecnificados, resultando em mudas mais produtivas, rigorosas e resistentes às principais doenças, a Bahia poderá alcançar a autonomia na produção de borracha natural.

Todavia, explica a Seagri, com a expansão da área de seringueiras em SAFs (Sistemas Agroflorestais) e a utilização de mudas de qualidade, haverá o aumento da oferta de borracha natural no Estado e, sem dúvidas, a redução da dependência pelo produto importado da Ásia. Além disso, pela capacidade de geração de trabalho permanente e oferta de mão de obra que a heveicultura (cultivo de seringueiras) representa no Estado, o Prodebon irá contribuir para a geração de trabalho e renda, proporcionando o cultivo da seringueira como meio para a inclusão social e garantindo a sustentabilidade dos trabalhadores beneficiados.

Em parceria com a Continental, empresa que utiliza a borracha como matéria prima para a fabricação de pneus, nos três últimos anos a Seagri distribuiu cerca de 240.000 mudas de seringueira, aos pequenos agricultores familiares da região. A perspectiva é que outras empresas sejam atraídas para se inserir no programa, ampliando a parceria, principalmente no segmento de produção de mudas.

(Fonte: Ascom/Seagri-BA)

 

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