Secretários Cesár Halum, Roberto Sahium, Pereira Lima e Antônio Oliveira, em reunião na Seagro (Foto: amanda Costa/Seagro)

Por Antônio Oliveira

O Brasil, até o momento, tem sido muito respeitado em todo o mundo pelo sistema de produção agropecuária sustentável. Claro que alguns países torcem o nariz para o seu sistema de produção. Na verdade, estes fazem o jogo sujo com interesses comerciais, procurando empanar o brilho dos produtores brasileiros, deterem a nossa marcha para alcançarmos o primeiro lugar nos rankings internacionais de produção e exportação de alimentos, fibras bioenergia.

As áreas protegidas no Brasil totalizam 2.468.492 Km², o que equivale a soma dos territórios de 15 países da União Europeia, que têm uma área total de 2.480,778 Km². Isto representa 54% da área total daquele grupo de países europeus. Graças a várias tecnologias, como os sistemas de integração (Lavoura-Pecuária, Lavoura-Pecuária-Floresta, Lavoura-Floresta e Pecuária-Floresta), e, ainda, ao Sistema de Plantio Direto na Palha –  maioria destas tecnologias desenvolvidas aqui mesmo pela estatal de pesquisas Embrapa -, a agricultura brasileira produz até 3 safras/ano e pode chegar, num futuro breve, a 4, em certos casos.

Na evolução da área plantada x produtividade, os resultados também têm sido extraordinários. Em 1972, a safra de grãos no Brasil foi de 30 milhões de toneladas em uma área plantada de 28 milhões de hectares. Em 2016, a produção foi de 240 milhões de toneladas para uma área plantada  de 60 milhões de hectares. Ou seja, a área cultivada aumentou 80% e a produção mais de 500%. Cada vez mais se produzem mais grãos em menos espaço de terra. Esta relação se repete, também, em outras áreas da agricultura e da pecuária. Além das tecnologias, o alto grau de conscientização do produtor rural brasileira, contribui com este panorama.

Em termos de preservação ambiental, item mais cobrado pela maioria das sociedades de todo o mundo, o país verde e amarelo é campeão. Ele dedica 66,3% de seu território à preservação ambiental. Temos uma legislação ambiental rígida que, desta forma, garante ao Brasil ter, infinitamente, condições de produção. Se mudarmos essas regras, não chegaremos a dez safras sem os primeiros sinais de reversão desta condição privilegiada do Brasil aparecerem. Notem-se bem que o Brasil tem um compromisso com a segurança alimentar do mundo.

O Tocantins está inserido neste contexto com um diferencial vantajoso no quesito produção de sementes de soja, que são produzidas na região de várzeas tropicais, a maior área continua de irrigação do mundo e onde está instalado o Projeto de Irrigação Rio Formoso, com sistema de subirrigação, após inundação. Lá se produzem, além das sementes de soja, conhecida como as melhores do Brasil; frutas, como melancia, melão, abóbora; arroz, feijão, gergelim, milho, etc. Na inundação, arroz da melhor qualidade; na baixa, quando o processo de reverte para a subirrigação, as frutas e a semente de soja.

A principal vantagem da produção de semente de soja nessas várzeas é que, como o plantio da semente acontece em maio – na entressafra da soja da safra de verão, praticamente em todo o Brasil -, a colheita ocorre entre agosto e outubro, perto do plantio da nova safra do grão em todo o Brasil. Então, disponibiliza-se uma semente jovem, com alto índice de vigor e germinação, aumentando a produtividade, que é o objetivo de quem planta.

Naquela região, obedece-se, também, assim como na safra de verão em todo o Tocantins, o vazio sanitário, implantado no auge da incidência da ferrugem asiática em vários estados brasileiros – 2006 -, após articulações do então secretário de Agricultura do Estado, Roberto Sahium, junto ao Ministério da Agricultura.

Com condições naturais favoráveis, tecnologia e sustentabilidade as várzeas tocantinenses produzem a melhor semente de soja do Brasil (Foto: divulgação)

Atualmente, 13 estados, mais o Distrito Federal,  adotam o período do vazio sanitário, que no Tocantins, para a safra de verão, vai de 1º de junho a 30 de setembro.

Este vazio, visa a quebra o ciclo de pragas e doenças, principalmente a ferrugem amarela que tantos prejuízos – em milhões de dólares – já causou a sojicultura brasileira, principalmente a partir da safra 2000/2001, até uma tomada de atitude do conjunto Estado/produtores/pesquisadores/defesa agropecuária. A praga dissemina rapidamente entre as plantações, através do vento. Os maiores prejuízos causados é a redução da produtividade, já que causa desfolha precoce nas plantas, impedindo que os grãos de soja se formem completamente.

Contudo, há um grupo vinculado a Associação dos Produtores de Soja do Tocantins (Aprosoja-TO), “mexendo com os pauzinhos” para acabar com este vazio nas várzeas. Preocupados que isto ocorra, comprometendo a sojicultura, principalmente na região do MATOPIBA, o ex-secretário de Agricultura do Tocantins, durante 3 gestões seguidas e atual secretário de Desenvolvimento Rural de Palmas, Roberto Sahium; o presidente da Comissão de Sementes e Mudas do Tocantins, Pereira Lima, e este jornalista, reuniram-se na manhã desta segunda-feira, 16, com o secretário da Agricultura, Pecuária e Aquicultura do Tocantins, Cesar Halum, para expor essa possível tentativa de mudar as regras no plantio de soja para grãos e sementes no estado.

Cesar Halum ouviu, mostrando-se preocupado, e  garantiu analisar a questão, a partir de uma próxima reunião com atores da cadeia da soja – grãos e sementes -; agrodefesa do Tocantins, Superintendência do Ministério da Agricultura no Tocantins, entre outros, para só então emitir uma opinião sobre o assunto.

Para o secretário Roberto Sahium, o fim do vazio sanitário no Tocantins vai expor a sojicultura na região do MATOPIBA ao perigo de novas incidências, em massa, da ferrugem asiática.

Tocantins tem um compromisso muito grande com o Brasil; tem disponibilidade de terras e água e uma agropecuária que há muitos anos não registram casos graves de doenças na agricultura e na sua pecuária.

O que se pretende, por parte, desse grupo da Aprosoja – TO, será um retrocesso.

Nota da Redação: Artigo editado as 19h desta terça-feira, 17, para correção de informação.