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Há poucos anos, descobri que Deus nunca fora arquiteto como dizem por aí afora, e sim, um Engenheiro Agrônomo.

Não se trata de suposição inventiva, mas de proposição que se apresenta ou se expõe para ser defendida em caso de contestação.

Para isso desvendar, parto da primeira aula de religião vivida por mim, na minha primeira escola e da primeira professora. “Ufa, ufa, tudo era pecado”, Dona Terezinha ateava o terror, colocava fogo no inferno.

– O Diabo está em todos os lugares – dizia a professora.

– Ele está sempre nos espreitando para nos levar ao pecado. Alguns são pecados mortais, donde somente os padres podem tirar – insistia.

A Dona Terezinha, braba que nem caititu encantoado, não tinha isso de chamá-la de tia. Tia era tia. As primas eram as muié das casas de luzes vermelhas lá da Vila Mauá, que nos dias calorentos se refrescavam no Córrego Buritizal, vizinho da escola. Escola frequentada pela meninada das fazendas da região onde morava.

Eu ficava encafifado com os pecados desfilados pela professora. Encafifado também ficava quando Dona Terezinha falava no Arquiteto do Mundo, Deus. Criador de tudo.

– De tudo? – perguntava eu.

De volta pra casa, caminhando num treeiro que serpenteava sobre um capinzal alto de Jaraguá, pensava também alto na aula de religião de Dona Terezinha.

– Quando crescer, falava comigo mesmo, quero ser Arquiteto, irei fazer um mundo pequeninho pra mim, onde apanhar frutas no quintal do seu Benedito, espiar as primas lá da Vila Mauá peladas no córrego, ficar com preguiça de buscar lenhas nos dias chuvosos, não seriam considerados pecados. Dona Terezinha não frequentava meus pensamentos, estava fora dos meus planos.

(Ilustração: Divulgação/Google)
(Ilustração: Divulgação/Google)

Passaram tempos, ganhei uma Bíblia Sagrada, mas de contínuo pensamento e crença no Arquiteto do Mundo. Estudando-a me firmei no primeiro livro de Moisés e detive-me por mais afeição ao relatado em GÊNESIS I a XIX. Neste relato, Deus cria o Céu e a Terra, fez a noite e o dia, plantou as relvas, cereais e árvores. Nesta arrancada, criou também as algas verdes, vermelhas ou marrons, as samambaias, que deem flores, frutas e sementes conforme suas espécies. E Deus viu que tudo isso era bom.

Em GÊNESIS XX a XXXI, os escritos contam que Deus criou os bichos rastejantes, voantes, aquáticos, assim como as bactérias , os fungos, os protozoários; e bem como os vírus. E Deus viu que tudo isso era bom.

Diante de tudo que Deus criou e viu, disse ele: “Mortais! Frutificai e multiplica-vos; encham a terra, os mares e os rios em reinos, filos, classes, ordens, famílias, gêneros e espécies.” Para ajudá-lo a conduzir tudo isso, Deus cria o homem a sua semelhança, ordenando-o a dominar todos e todas as criaturas vivas que se arrastam sobre e dentro da terra e das águas, bem como estas.

Voltando no tempo lá na Escola Municipal Rural Santa Terezinha, nas aulas de religião de Dona Terezinha, passando pelos Dez Mandamentos de Moisés, pelos sermões da montanha ouvidos, hoje, não tenho dúvida, a professora estava errada, todo mundo está sendo enganado. “Deus, o Criador do Universo” não era Arquiteto, e sim, um excelente Engenheiro Agrônomo. E mais, um Engenheiro Agrônomo extensionista de genética PO, formado na academia da diversidade tecnológica, sem ranço e sem fisiologismo político esquerdista ou socialista. E digo: Felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a guarda.

Ao Engenheiro Agrônomo, Construtor do Universo, parabéns por ter criado a terra e colocado o Estado do Tocantins nela.
Aos Engenheiros Agrônomos do Tocantins, parabéns por ajudarem na construção de nosso Tocantins e pelo seu dia: 12 de outubro, que coincidentemente é o Dia das Crianças e Dia da “Nossa Senhora Aparecida”, Padroeira do Brasil.

*Roberto Jorge Sahium é Engenheiro Agrônomo, Associado da Associação de Engenheiros Agrônomos do Tocantins – AEATO, Membro da Academia de Letras da ATER-Brasileira, Extensionista do Ruraltins e está Secretário do Desenvolvimento Rural de Palmas.

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