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Um geraiszão de meu Deus, chão vermelho, clima de pau torto e cascudo, drenada por veredas e ribeirões de águas doces e cristalinas, natureza formosa, salpicado por casas construídas, rusticas, em adobes crus, telhas de barro artesanal e pisos de chão batido, ora cercadas por pastos mansos, ora por roças de mandiocas e plantações a esmo, esparramadas pelos descampados. Terreiros quase sempre sombreados por mangueiras centenárias, com criames de todos os bichos caseiros que servem de mistura para os cristãos da localidade.

Neste cenário, nos derradeiros anos da dezena de 80 do século XX  chega Palmas pra ficar.

Palmas! Concebida entre um Rio e uma Montanha, dois dos rebentos do período pré-cambriano, cerca de 1,100 a 1,500 bilhões de anos.

O Distrito de Canela e a Praia da Graciosa eram vizinhos. Canela com seu campo de várzea e suas biscoiteiras famosas faziam a festa, e o destaque era os festejos do Divino Pai Eterno.

A Graciosa Mãe dorme no fundo do Lago do Lajeado, mas sua filha encontra-se presente nas festas da Iara, a Deusa das Águas e das Chuvas.

Um altar, um cruzeiro e um descampado, onde havia raposas, emas, seriemas e arrozais, o princípio.  (Foto: Divulgação)
Um altar, um cruzeiro e um descampado, onde havia raposas, emas, seriemas e arrozais, o princípio. (Foto: Divulgação)

Graciosa Mãe fora criada pelo Governador das Armas de Goiás, Raimundo Cunha Matos, em 1.82401, o primeiro aldeamento ou povoamento para direcionamento dos Xerentes. O nome Graciosa foi escolhido por ele para homenagear sua própria filha.

Taquaralto, um entroncamento, daí rumava-se para: Taquaruçu do Porto, Tocantinia e Canela. No principio de tudo era a porteira de entrada para Palmas. Ali tinha uma catacumba da Dona Viturina a primeira ocupante da região, a Venda do Santo Galvão, Coleginho Luis Antonio Monteiro, Igrejinha de Nossa Senhora Aparecida, que de informe ela caiu umas três vezes. Tinha ainda uma dúzia de moradores em casas de adobes, sendo que logo com a chegada da peonada, os primeiros operários para a construção de Palmas, duas dessas residências viraram um dos Points mais frequentados da cidade. Os ditos granfinos iam durante o dia mesmo, assim diziam as Primas.

Produzida na proveta da modernidade, Palmas brotou antes do futuro chegar, abrolhou junto à popularização dos satélites, internet, dinheiro de plástico, GPS, telefone móvel, redes de televisão e imprensa multimídia, Glivec, Viagra, agricultura de precisão e de baixa emissão de carbono, e muito mais.

Palmas hoje aos 27 anos, jogar conversa provento que escorrega da Serra do Lajeado, saboreando um bom Chambari engrossado com farinha branca, notadamente no Pau da Mentira, fazem com que os neurônios fuçam e paginam os acontecimentos que burilados pelos ladinos viram peças da história de Palmas. Os relatórios falatórios enleiram sempre a falta de água, energia elétrica, telefones e das poeiras que subiam nas alturas. Nas rodas das mulheres as prosas são consecutivamente dos hortifrutigranjeiros, como: leite, carnes e verduras que aqui chegavam uma vez por semana. Igualmente não ficam fora destas prosas falatórios fiados sobre os alojamentos dos solteiros e das solteiras, popularmente conhecidos e reconhecidos pela alcunha de Fud… tins, trazendo alocuções saudosistas.  Pra falar a veracidade, esta diversão ficava próximo ao acampamento dos pés-inchados no Golfo Pérsico, donde temos hoje o magnifico prédio do Correio, do esplendoroso e envidraçado edifício do MPE, SENAI, Ordem dos Advogados do Brasil – OAB.

Um "shopping" que também servia de moradia e rodoviária. (Foto: Divulgação)
Um “shopping” que também servia de moradia e rodoviária. (Foto: Divulgação)

Vêm ainda os casos do 1º Shopping Center de Palmas, construído inteiramente em compensado de madeira e papelão. Entremeado entre as construções, vielas e passarelas a céu aberto com lojas, mercados de secos e molhados, os famosos botecos e restaurantes copos sujos e moscas azuis e  os salões de beleza unissex. Céu aberto também eram os esgotos das águas servidas nas pias e lavatórios. Tudo isso atrás e colado ao Centro Administrativo, com todos seus Tins, edificado também com madeirite.

A Rodoviária, que esteve fincada no canto Noroeste da Praça dos Girassóis, do mesmo modo construtivo do Shopping, com vários serviços e comércios, incluindo churrascaria e uma frota de taxis bem diversificada, destacando uma camioneta Chevrolet, por lá conhecida de C-14 Pampa (tinha pedaço de três camionetas), o mais requisitado pelos chegantes.

Ali, nas antigas ARSE NE 12 e 13 vacas e bois relacionavam bem com máquinas, caminhões e outros veículos que abriam as avenidas e alamedas, comendo os braquiarias estilozantes restantes nestes quadrantes.

Lobos-guarás, raposas e jaguatiricas viravam latas de lixo no quartel da policia militar e fieiras de lobós e lambaris eram pescados nos córregos Brejo Comprido e Suçuapara onde hoje se encontram as pontes na Avenida Teotônio Segurado.

As primeiras moradias, estas só pros Lordes da Corte, as quais enfileiravam uma na rabeira da outra na cabeceira da JK, eram casas de madeira, envernizadas e com varandas e tudo mais, muito luxo pra época.

A Assembléia Legislativa tomava conta de um cocuruto de morro logo adiante do Palacinho do Governo. Ali um galo cantor, de propriedade de um dos vigias noturnos abria o bico e toda Palmas acordava.

Imaginar Palmas em 2035 com edifícios astutos, totalmente verdes, abastecidos por energia solar própria, cortados por carros e ônibus silenciosos que voam próximos as nossas janelas, na saúde conceitos de competência e valorização da vida das pessoas presentes no cerne do tema, na educação a grande revolução, ativos e medidas enérgicos estarão em pauta, segurança hoje parecido carro alegórico, estará totalmente inteligente e justiça forense totalmente on-line.

As águas e os lixos domésticos e industriais tratados e reutilizados em 100%.

E por aí afora.

 

  1. SILVA, C. & GIRALDIN, O. Ligando Mundo: relação entre Xerentes e a sociedade circundante do século XIX .  

*Roberto Jorge Sahium é Engenheiro Agrônomo, Extensionista do Ruraltins, Imortal da Academia de Letras da Extensão Rural Brasileira, encontra-se secretário de Desenvolvimento Rural de Palmas e é colunista da revista Cerrado Rural Agronegócios – site e impresso. 

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