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Roberto_Jorge_Saihum_Agricultura.180x237Heródoto foi um geógrafo e historiador grego que viveu entre 485 a 420 a.C.  Ao filosofar alto não enfadava a dizer:  “O Rio Nilo é uma dádiva dos Deuses do Egyto”.

Capitão Rumão, carapina foi barqueiro, oficio que aprendeu com o Mestre Sabino Xerente. Analfabeto de pai, mãe e parteira, viveu em Porto Nacional entre 1.890 a 1.955 d. C. . Ao plagiar Heródoto, filosofava alto e espocava a dizer:  “O Rio Tocantins é um presente de Deus.

Mariscador dos bons, Rumão aprendeu com a necessidade de arrumar mistura para o arroz e farinha de mandioca, diariamente consumida pela mãe e cinco irmãos. Fartura de peixes p´ra mistura e precisões de qualquer matula. Isto dito,  assegura que o Rio Tocantins era e ainda é um formoso paiol de pescados.

Pulando a prosa pelo o agora, margeando a ribanceira do consumo de pescados no Brasil, seu crescimento é diretamente proporcional à produção, onde nos grotões tocantinenses contribui bem.

Imagine! – nossos peixes estão indo para Brasília, Goiânia, São Paulo e até subindo o Rio Amazonas e abastecendo os restaurantes de Manaus.

Ainda não vai p´ro estrangeiro. Do jeito que tá, esta bom. Mas cobiçamos determinar mais, vender mais, gerar mais emprego e renda pra nossa gente.

No mesmo sentido e razão o mercado quer produto bom, em grande quantidade, diversificado, preço não “vilãozado” pelo radio e televisão e peixes que não estejam na contra mão da sustentabilidade ambiental.

O cenário não é pra amador, café-no-bule para isso não falta, temos sabedoria suficiente, podemos entrar neste “treeiro”. Sem entremeio de falsa modéstia, ou se preferirem sem falatório demasiado, produzir bastantes peixes e de várias espécies da Amazônia Legal somos capaz.

Parte deste consumo deriva da logomarca Amazônia, uma das três marcas mais conhecidas, hoje,  no mundo. Depois vem o amor da barriga, fato dos peixes amazônicos possuírem carnes saborosas, nutritivas e saudáveis ou ainda pela bondade da carne vir com um componente benéfico à saúde. Trata-se de um ácido que ajuda a reduzir as taxas de colesterol, que entre outras benesses diminui a incidência de doenças cardiovasculares, atua na regeneração de células nervosas, influindo no combate à depressão e distúrbios do sono, conhecido como ômega. Por atuar no sistema nervoso o ômega 3 diminui o risco de desenvolvimento do Mal de Alzheimer, demência e cansaço mental. (Rev Inst Ciênc Saúde 2008; 26(2): 153-6.)

Relativo ao preço, nosso pescado tá de encontro ao paladar.  Baratear o produto, depende da política de incentivo  fiscal brasileira, que carece diminuir a gordura subcutânea impregnada nas ideias e abaixarem os impostos, taxas e juros cobrados. Sem preconceito, é claro, nada obstante, isso tem jeito de melhorar, falta aos “omis otoridades” (grande cardume de carnívoros da política), comer mais peixes e melhorar a massa cinzenta das ideias.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Sobre a diversificação dos “criames” com espécies nativas, o dadivoso Rio Tocantins tem capacidade que nos habilita sair na frente. No canal percorrido pelo Mariscador Rumão, nos seus 65 anos de vida, creio, ele conhecia mais de 60 espécies, daí dá para ver o gosto por peixes pelos tocantinenses, hábito que vem de longe, vem dos nossos nativos que tinham ali no seu quintal as águas para o seu modo de vida e de lidar com a natureza. Agora reafirmado pelos textos de “Nossos Peixes” (série de artigos publicados no semanário tocantinense, “O Jornal”) que deu um ajutório aprumando na direção e sentido ecologicamente correto, mostrando as regiões de ocorrências, costumes, alimentações, reproduções e características gerais e ainda mostrando os valores comerciais, esportivos e ornamentais destas cinco dúzias de peixes.

Voltando a dadiva do Egyto, acolá no Rio Nilo, além da Tilápia do Nilo, será que Heródoto que também viveu 65 anos, conhecia mais de uma dúzia de peixes.

Assim, reforçar a preocupação da necessidade de incrementar a piscicultura tocantinense a diversificarem os criatórios com outras variedades de peixes nativos, pode transformar o Estado do Tocantins referencia nacional na produção de “frutos de água doce”, motivo não falta: as “megatendências” (grandes mudanças) que vêm acontecendo no Brasil e no mundo; das mudanças importantes na estrutura produtiva agropecuária nacional; das relações bilaterais internacionais aquecidas; a nova órdem mundial moderna e competitiva; a globalização da economia, derrubando fronteiras, ultrapassando diferentes línguas, costumes e criando um mundo inteiramente novo, diferente com um enorme portão de novas oportunidades para o Agronegócio do Brasil, em especial para o pescado brasileiro.

Tudo isso demanda de uma política pública estadual para referendar a produção de pescados, uma política de valorização das espécies nativas pela Secretaria Nacional de Aquicultura, um planejamento racional das espécies regionais, uma capacitação generalizada, a começar pelos aquicultores tocantinenses, como tanto aos aquicultores brasileiros, donde historicamente, obedientes a um caráter genérico tiveram poucas alternativas de diversificação das espécies nos seus “criames”.

O refrigério para os aquicultores viria de mais pesquisas de espécies nativas populares; oferta de assistência técnica e extensão rural atrelada a um artifício de crédito, hoje quase inexistente; política pública de defesa agropecuária e sanidade animal sem terrorismo, sem arrogância e sem poder de policia; promover a instalação de indústrias de beneficiamento de pescados; licenciamentos ambientais rápidos, desburocratizado e sem ranço de CC-eco-xiitas e neste (es)quesito quero abrir um breve entre aspas: ”O conjunto da legislação brasileira verifica-se a larga utilização de atos administrativos, normativos, regulamentadores (decretos, portarias, resoluções e deliberações) para a organização das atividades agropecuárias brasileira. Ressalte-se, entretanto, que tais atos, além de não contemplarem necessariamente uma plena discussão social por serem atos de vontade de autoridades do poder executivo (apoderado por conta própria de atitudes: legislativa, judiciária e policialesca), não poucas vezes causam conflitos entre si”.

Voltando as ideias para o amanhã, começando hoje, acreditamos que a diversificação da produção de pescados, começando pelo Tocantins nos firmará como vanguardista na atividade em primeira mão, considerando que essa mudança da matriz produtiva não ocorre unicamente como estratégia para aumentar o tamanho do mercado consumidor, também poderá ocorrer por um resgate cultural, muitos peixes pescados antigamente ainda habita a alma da nossa gente. Conhecidos e apreciados pela maioria dos brasileiros estes peixes poderão ser convocados para formar um plantel sustentável, como é o caso da Matrinxã ou a Piabanha, a Tabarana ou Dourado Branco, Corvina ou Pescada Branca, Mandubé ou Fidalgo, Pirarucu – ou Bacalhau do Brasil -, Piraiba ou o Filhote, Pintado da Amazônia e a Sardinha de Água Doce. O aditivo de tudo isso: “MARKETING OF AMAZONIA MADI IN BRAZIL”.

*Roberto Jorge Sahium é Engenheiro Agrônomo, Extensionista do Ruraltins, Imortal da Academia de Letras da Extensão Rural Brasileira, encontra-se secretário de Desenvolvimento Rural de Palmas e é colunista da revista Cerrado Rural Agronegócios – site e impresso. 

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