ROBERTO SAHIUM – Até que enfim: peixes até na merenda escolar

ROBERTO SAHIUM – Até que enfim: peixes até na merenda escolar

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(Ilustração: Otoniel Fernandes Neto, do livro "Rio Tocantins Ilustrado")
(Ilustração: Otoniel Fernandes Neto, do livro “Rio Tocantins Ilustrado”)

Há exatamente 69 anos atrás (5 de julho de 1947), o Capitão Romão, afamado comandante de barcas comerciais a fazer águas no Rio Tocantins, proclama:

– Daqui uns dias chego lá na Vila do Conde, o bucho do Princesa do Tocantins tá cheio de caucho (borracha de mangaba). Mesmo por cálculo das perrengagens que vamos peitar pela frente, e uma delas fica logo ali no lajedo acima do Funil, também alcunhado por Garganta do Cão. Depois, vêm os infernais pedrais de Itaguatins e Lourenço, nesses pontos temos os pesqueiros afortunados das caranhas, mistura abençoada nas refeições. No baixo Tocantins, de bondade, incluímos na matula os maparás e de maldoso temos os bichos de outrem, como: Nego D’água, Boitatá que põe fogo nas águas e, cruz credo, da Boiúna.     Mas, como prá baixo todos santos dão uma mãozinha, se Deus quiser em meados de dezembro esbarro nas palafitas do cortiço da estação das docas.

E disse ainda:

– Na volta! Para subir, Virgem Maria, todos os diabos esbarram a Proa, serão quase 365 dias da Vila do Conte até aqui em Porto Nacional.

Hoje, 05 de outubro de 2035, o Estado do Tocantins completa 47 anos, quase meio século de existência, população 5 milhões de habitadores esparramados por todo o torrão tocantinense pra todo gosto.

No mundo, o mangueirão de gente fecha o cerco em quase 8,5 bilhões de pessoas, povo em todos os cantos e recantos deste chão da terra. O “Asiacentrismo” presentemente é o pivô da rotação da movimentação econômica internacional. A agropecuária ocupa o pano de frente para benevolência do mundo.

O consumo de alimentos ultrapassa a marca de 4 bilhões de toneladas ano;  os combustíveis feitos das biomassas tomam conta dos veículos e as fibras naturais e os amidos vestem a povoação global.

Nesta conjuntura é notória a importância do AGROBrasil S/A como produtor de commodities rurais para os viventes do planeta terra. Seguindo esta picada, o Tocantins, pega beira neste contexto, o modal de transporte reforçado pela ferrovia Norte-Sul, hidrovia Araguaia-Tocantins e o terminal de cargas aeroviárias de Palmas transformou isso aqui no entroncamento do Brasil.

Notadamente na hidrovia o entrevero é abalizado e agudo, barcaças empurrando ou puxando balsas correnteza acima ou rio abaixo. Prá baixo com ajuda dos santos são somente 6 dias de viagem até Vila do Conde. Pra cima com a correnteza dos diabos atrapalhando são 10 dias.

Atualmente as balsas descem com soja, milho, frutas tropicais, celulose, amido, carnes e até calcário. Na subida os turbinados motores a biodiesel roncam alto e grosso. No dizer dos barqueiros, vem com o graneleiro cheio. Trazem em seus porões adubos, combustíveis, veículos, nanocondutores e nanoeletrônicos, equipamentos mecatrônicas e pequenos veículos.

Porto Nacional, Palmas, Miracema, Pedro Afonso, Filadélfia, Tocantinopolis e Praia Norte são as cidades-portos, ponto de saida e chegada dos produtos transportados nesta hidrovia, fazendo com que o reboliço é em escala grande, a circulação de gente, chega a assustar os chegantes.  O prato-feito, o famoso PF de outrora, agora: “Executive Fast Food – eff” continua o mais procurado. O velho prato comercial, o mais caro, presentemente nos painéis eletrônicos é “Functional Fast Food – 3F”. Mas as receitas ainda são da cozinha habitual vem de perto 100 anos atrás, que permanece entranhada na cultura de nosso povo: arroz com feijão, farinha de mandioca, carne assada, que agora é grelhado, moqueadas, ensopados, chambari, buchada e açai.

Carnes brancas aqui são os destaques, peixes da bacia Araguaia – Tocantins fortalece a segurança de pescados nas mesas da povoação. A diversificação de peixes rezado lá na década de 10 do século XXI, indicando traira, fidalgo, mapara, filhote, jaraqui, piau, caranha, tambaqui, pintado, pirarucu e sardinhas, peixes cantado em prosa, deram norte verdadeiro para a aqüicultura tocantinense ter hoje a Indicação Geográfica Protegida (IGP) de Peixes da

Amazônia e com isso o poder de ajudar o Pais bater recordes na produção de pescados, colocando-os nas mesas brasileiras e até nas estrangeiras pescados de qualidade e em quantidade.

Oitenta milhões de toneladas pescados e frutos dágua é o que circula na comercialização mundial, mercado para ninguém colocar defeito.

O consumo per capita mundial de 15 Kg esta acima do sugerido pela FAO no ano de 2.000, que  recomendava comer no mínimo 12 kg/habitante/ano de peixes e/ou organismos aquáticos. Hoje, inclusive comem-se peixes até nas escolas.

Assim, façam hoje, não deixem para o futuro o que planejamos ontem.

Roberto_Jorge_Saihum_Agricultura.180x237*Roberto Jorge Sahium é Engenheiro Agrônomo,

Extensionista do Ruraltins,

Imortal da Academia de Letras da Extensão Rural Brasileira,

encontra-se secretário de

Desenvolvimento Rural de Palmas e é colunista da revista Cerrado Rural Agronegócios – site e impresso. 

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