A aposta é que as hortas transponham os muros da escola, cheguem às comunidades (Foto: Embrapa)

*Da Agência Embrapa de Notícias

A implantação de hortas em escolas localizadas em municípios que apresentam situações de vulnerabilidade alimentar nos estados do Maranhão e do Piauí foi acertada entre o titular da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), e a chefia geral da Embrapa Hortaliças (Brasília-DF), durante reunião realizada no dia 21 de fevereiro último.

Na ocasião, o secretário Caio Tibério da Rocha expôs as razões da escolha desses estados e da Embrapa Hortaliças como instituição responsável pela coordenação/execução do trabalho.

– Fizemos um estudo a respeito dos municípios brasileiros onde a situação de insegurança alimentar é mais grave, e esses dois estados apresentam níveis bastante críticos – mais da metade da população do Maranhão e quase a metade da população do Piauí vivenciam esse quadro -, e a expertise da Embrapa no trabalho com hortaliças será fundamental para que alcancemos os resultados esperados, isto é, uma mudança gradativa dessa grave e preocupante situação.

A ideia de implantar o que ele denomina como “hortas-padrão” nas escolas “representaria um primeiro passo para que a comunidade seja beneficiada com a expansão do cultivo de hortaliças a partir da experiência com as escolas”.

Na mesma linha de raciocínio, o chefe-geral da Embrapa Hortaliças, Warley Nascimento aponta o programa corporativo “Embrapa & Escola”, que recebe anualmente cerca de duas mil crianças do ensino fundamental I e II das escolas públicas e privadas do Distrito Federal, além de um evento realizado pela Embrapa Hortaliças com a participação desse público mirim durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, e que representam ferramentas a mais para estimular o consumo de hortaliças a partir do reconhecimento de sua importância para a saúde.

– O objetivo desses eventos é que as crianças repliquem o aprendizado nas escolas e nas suas famílias, e de certa forma essa experiência –  com pontos em comum com o trabalho que ora discutimos – vai ajudar na implantação das hortas-padrão.

Planos de ação

A reunião também contou com a apresentação de tópicos referentes aos Planos de Ação (PA) que serão desenvolvidos ao longo da implantação das hortas nas escolas. Segundo Ítalo Lüdke, supervisor do Setor de Implementação da Programação de Transferência de Tecnologia (SIPT) e vai atuar como coordenador dos trabalhos, a ideia é que permeia a instalação das hortas é que, com o conhecimento que será gerado, as escolas tenham autonomia e num futuro próximo sirvam de modelo para ampliar os horizontes.

– A aposta é que as hortas transponham os muros da escola, cheguem às comunidades, e sirvam para atuar não apenas contra a insegurança alimentar e nutricional, mas também como fatores de geração de renda.

O supervisor explica que o primeiro passo dessa caminhada será dado com a escolha inicial de quatro escolas – duas no Maranhão e duas no Piauí, em municípios escolhidos com a contribuição das Unidades Embrapa Cocais (MA) e Embrapa Meio-Norte (PI), que serão convidadas para essa parceria.

Com os acertos definidos durante a reunião, e que incluíram os valores e os prazos para o repasse de recursos pelo Ministério do Desenvolvimento Social, a perspectiva é que os primeiros passos para a implantação das hortas-padrão sejam dados já em março próximo, com as primeiras incursões aos municípios e às escolas que servirão inicialmente de modelo do programa.

*Com edição de Cerrado Rural Agronegócios