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As comunidades quilombolas da Malhadinha e Córrego Fundo, em Brejinho de Nazaré, no sul do Tocantins, brevemente poderão contar com a implantação de um sistema produtivo que poderá lhes oferecer segurança alimentar e até gerar uma nova fonte de renda.

O sistema é muito simples e produtivo (Foto: Embrapa)
O sistema é muito simples e produtivo (Foto: Embrapa)

Conforme a Embrapa Pesca e Aquicultura (Tocantins), foram liberados R$ 100 mil para o centro de pesquisa aplicar na construção de até 28 unidades do Sistema Integrado de Produção de Alimentos (Sisteminha da Embrapa) e na capacitação de produtores e agentes multiplicadores, que terão a missão difundir informações sobre a tecnologia. O trabalho será realizado em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), a Universidade Federal de Tocantins (UFT) e prefeitura de Brejinho de Nazaré.

O recurso é fruto de emenda parlamentar do deputado estadual Paulo Mourão (PT), que no ano passado visitou o estande da Embrapa Pesca e Aquicultura na Feira Agropecuária do Tocantins (Agrotins), onde conheceu o Sisteminha.

Na ocasião, ele se comprometeu a conseguir recursos para a implantação da tecnologia no Estado, tão logo o centro de pesquisas fosse inaugurado. Criado pela Embrapa Meio-Norte/ UEP Parnaíba há seis anos, o Sistema Integrado de Produção de Alimentos prevê a produção combinada de peixes, aves, frutas, legumes e hortaliças em uma mesma área, utilizando materiais baratos e já disponíveis, como papelão por exemplo.

Com o dinheiro será possível investir na construção de 15 a 28 unidades do Sisteminha, dependendo da necessidade de placas de energia solar.

– Inicialmente a tecnologia não prevê o uso dessa fonte alternativa de energia, pois encarece em 50% seu custo de implantação. No entanto, como vamos implantar a tecnologia em algumas regiões sem eletricidade, há casos em que será necessária a geração de energia solar –  explica Alexandre Freitas, Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura.

Os recursos serão usados também na capacitação de agentes multiplicadores, técnicos e produtores rurais – e não apenas de moradores das comunidades quilombolas Malhadinha e Córrego Fundo.

Segundo explica Carlos Magno Campos da Rocha Júnior, Secretário de Agricultura de Brejinho de Nazaré, essas comunidades foram escolhidas por estarem mais próximas da cidade, o que facilita a parte logística, barateando os custos.

A analista Marcela Mataveli, da Embrapa Pesca e Aquicultura, detalha como a tecnologia ajuda no combate à fome.

– A gente ensina a produzir fontes de carboidratos, proteínas e minerais para enriquecer a alimentação das famílias. O excedente poderá ser vendido, incrementando a renda do pequeno produtor – disse.

Segundo dados do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) de 2013, em 56,3% dos municípios do Tocantins, a maioria das residências possui pelo menos um morador de até 18 anos em situação de insegurança alimentar. Desses, 34,5% apresentam risco leve e 3% dos domicílios apresentam residentes com risco grave.

– A ideia é que a experiência de implantação do Sisteminha em Brejinho sirva como modelo para geração de políticas públicas de combate à fome – pontua Alexandre Freitas, Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura. ,

Da Ascom/Embrapa Pesca e Aquicultura, com edição de Cerrado Rural Agronegócios

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