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Veranico de dezembro não prejudicou tanto a safra da soja no Tocantins (foto: antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
Veranico de dezembro não prejudicou tanto a safra da soja no Tocantins (foto: antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Por Antônio Oliveira

Terminou neste dia 15 de janeiro a janela de plantio da soja em área de sequeiro no Tocantins. As lavouras do grão plantadas no estado cresceram, segundo estimativa da Conab, 3,4%, ou seja, passaram dos 988,05 mil hectares, na safra 2017/2018, para 1.021,98 mil hectares, podendo render mais de 3,1 milhões de toneladas. A produção de grãos no Tocantins quase que dobrou nos últimos seis anos, saindo de 2,6 milhões de toneladas, na safra 2012/2013, para 4,7 milhões na atual safra, tendo a soja um peso maior – 72% da produção -, segundo levantamentos da Conab. E há muita área a ser explorada, respeitando as reservas de proteção, no Estado.

Na safra, cujo prazo final para plantio terminou nesta segunda-feira, 15, as condições de clima e tempo andaram dando um susto nos sojicultores, com veranicos entre 10 e 15 dias, nas diversas regiões produtoras do Tocantins. Mas não passou de susto. A produção e produtividade não terão rendimentos esperados, mas também não causarão grandes perdas, conforme levantamento feito por Cerrado Rural Agronegócios, junto a Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa) e a Associação dos Produtores de Soja do Tocantins (APROSOJA-TO).

Maurício Buffon, presidente da APROSOJA-TO (Foto: Divulgação)
Maurício Buffon, presidente da APROSOJA-TO (Foto: Divulgação)

Segundo o presidente da APROSOJA – TO, Maurício Buffon, até o último dia 14, as lavouras no Estado estavam estáveis, porém com potencial menor em relação a safra passada, devido a alguns períodos de veranicos entre 13 e 23 dias, dependendo da região do estado, informou Buffon.

Na região de Pedro Afonso, cuja maior parte dos produtores são associados a Coapa, a situação não é ruim, conforme o presidente da entidade, Ricardo Khouri. Conforme ele, a soja naquela região deve ser analisada observando duas condições

– Nos solos mais argilosos, as lavouras estão numa condição de bom desenvolvimento vegetativo e já tem algumas com colheita prevista para o final janeiro, início de fevereiro. Naqueles solos mais arenosos, que nós temos na região, as lavouras sofreram mais, mas também está com bom aspecto vegetativo. Houve um veranico, em alguns casos de 18 dias, outras de até 25 dias, em dezembro, logo em seguida ao Natal. Mas, após o dia 27 as chuvas voltaram ao normal. Enfim, se fossemos traçar uma média em que se encontra o estado das lavouras é um estado de bom desenvolvimento, sim – disse.

Sobre produtividade média em todo o estado, o presidente da APROSOJA – TO, disse acreditar que, em média, ela será de 50 sacas/ha.

Na região de Pedro Afonso, uma das maiores regiões produtoras do Tocantins, conforme Ricardo Khouri, a expectativa de produtividade varia muito, a perda não será grande, será apenas nas lavouras de solos arenosos.

Em relação a expectativa geral dos produtores de soja do Tocantins, Maurício Buffon considera que ainda tem pela frente 60 dias para a conclusão da safra, com o início da colheita

– Muita coisa pode acontecer, principalmente pela questão climática.  Mas, mesmo assim, acreditamos em uma boa safra no Tocantins, se confirmar a expectativas de 3000 kg por hectare em média. Será uma boa safra, lembrando que estamos em uma região de expansão e ainda estamos construindo o solo em fertilidade, isso é uma boa média. Na medida que os anos passam e solo fica melhor – disse.

Lá pelos lados de Pedro Afonso, ainda conforme Ricardo Khouri, em relação a produtividade e até preços de  mercado futuros caiu um pouco, mas mesmo assim, não há motivo para abaixar a cabeça. “Estamos otimistas”, disse.

Ricardo Khouri, presidente da Coapa (Foto: Ascom/Coapa)
Ricardo Khouri, presidente da Coapa (Foto: Ascom/Coapa)

– Eu acredito que entre os nossos cooperados persistem a boa expectativa. Algo em torno de 35% da nossa produção foi fixado ao preço de médio de R$ 75, a saca de 60kg. Este preço não está sendo praticado mais, hoje. Para o senhor ter uma ideia, o preço praticado nestes dias, no preço futuro está entre R$ 66 e R$ 67 e os próximos passos, para que a gente continue na boa expectativa econômica, em termos de remuneração da safra, é os resultados da tensão diplomática entre Estados Unidos e China – considerou.

Khouri falou ainda que dependendo do fluxo da soja americana para a China e do que for alinhado entre os dois países, os preços podem ser recuperar em bons níveis, “ou não”.

– Vai depender muito dos próximos dias – completou.

 

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