Evaldo Santana,da Seder
(Foto: Luciana Pires)

Da Redação*

Resultado do espírito empreendedor, comunitário e associativista do secretário de Desenvolvimento Rural de Palmas (Seder), o Engenheiro Agrônomo, Roberto Sahium, muitas escolas da Rede Municipal de Educação está sendo abastecimento com produtos cultivados nas próprias escolas. É o projeto ‘Roça Para as Escolas’, desenvolvido pela Seder em parceria com a Escola de Tempo Integral (ETI) Professor Fidêncio Bogo.

As escolas fornecem insumos, sementes e adubos para ajudar na produção dos alimentos. A parte de execução é responsabilidade da Seder que disponibiliza a Fazendinha do Calor Humano, localizada na Agrotins, e o conhecimento da equipe técnica para gerar os mantimentos. Após a colheita, os produtos são enviados à ETI parceira e de lá são redistribuídos para outras escolas.

 Além da produção de hortaliças, tubérculos e cucurbitáceas, são geradas frutas como melão, melancia e milho. Para o técnico em agropecuária, Evaldo Santana, responsável pelo cultivo e produtividade na Fazendinha, o projeto é importante não apenas para ajudar na complementação da alimentação dos alunos, mas também para ensiná-los que para produzir não são necessários grandes espaços.

– Aqui recebemos alunos das escolas e até de faculdade, ensinamos como é o dia a dia da lavoura e como proceder dentro de uma propriedade rural, aqui é um exemplo de como é possível otimizar pequenas áreas e plantar várias culturas –  disse o técnico Evaldo Santana.

Os ensinamentos adquiridos podem ser usados dentro das próprias escolas ou em casa, que pode ser, inclusive, uma fonte de renda das famílias.

O diretor de assistência técnica Bonfim dos Reis acredita que no próximo ano mais escolas sejam contempladas com o projeto.

– Temos expectativa para aumentar a produtividade com o processo de irrigação, dessa forma teremos produção durante o ano todo já que as culturas se adaptaram às condições da Agrotins, com isso nós poderemos atender mais escolas – ressaltou.

 Produção

(Foto: Luciana Pires)

A produção inicia-se com o preparo do solo desde a gradagem (quando necessário), correção de solo com o calcário, adubação de fundação com macronutrientes, sendo utilizado nitrogênio (N), potássio (P) e fósforo (K) – na agricultura os macronutrientes são conhecidos como NPK – e posteriormente as adubações de cobertura para fazer a planta crescer. Além disso, são utilizados micronutrientes essenciais para o desenvolvimento da planta como zinco (Zn), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo), boro (B) e cloro (Cl).

Na Agrotins o processo de produção foi feito por meio de sulcos (fileiras de buracos) com adubos e o transplante das plantas (procedimento necessário para ganhar tempo em relação ao crescimento do capim presente na região). A irrigação é feita por gotejamento, no qual a central joga água direto nas plantas, em média é utilizado 1,7 l/h (litro por hora) por vegetal.

Na Fazendinha são produzidas três variedades de abóbora (kabotiá, xingó jacarezinho e caserta). A kabotiá possui um ciclo de 90 dias para colheita, enquanto a xingó jacarezinho demora cerca de 120 dias, já a caserta (italiana), que também é conhecida como abóbora de árvore ou popularmente chamada de abobrinha, tem um ciclo menor, de apenas 45 dias.

A abóbora kabotiá, por sua vez, é uma cucurbitácea híbrida, no qual o processo que fecundação não acontece naturalmente, porque a flor macho entra em estado de maturação mais tarde que a flor fêmea, então é realizada a polinização com hormônio de crescimento na flor fêmea. Após a pulverização já é possível ver a diferença de fecundação. Vale ressaltar que esse procedimento é mais antigo, entretanto é pouco utilizado no Tocantins. As demais variedades de abóbora fazem polinização cruzada.

As mandiocas plantadas possuem três variedades, sendo a sempre verde, argentina e cacau. O ciclo é de aproximadamente um ano de cada uma. Os melões utilizados foram o cantaloupe híbrido bazuca F1 e o melão amarelo, a média para a colheita é de 70 a 80 dias, que também é o período para colher a melancia selecta, que com esse ciclo normalmente a fruta pesa cerca de 10 a 12 quilos.

Experimentos

Os técnicos da Seder produziram como experimentos duas variedades inovadoras de batatas, sendo a batata cenoura e a rainha branca. A batata cenoura foi produzida na Universidade de Serra Grande do Araripe (Araripina/PE) e trazida para Palmas para saber como o tubérculo reagiria ao solo, os nutrientes presentes e a aceitação para consumo dos alunos. Após a colheita, que tem um ciclo de aproximadamente 120 dias, a batatinha será levada a Universidade Federal do Tocantins (UFT) para pesquisar o teor de nutrientes do alimento.

Enquanto a batata cenoura teve uma boa reação ao solo e reproduz uma média de média de seis quilos por cova, a batata rainha branca não apresentou os mesmos resultados. As demais batatas plantadas foram a palma e três corações que são os tubérculos mais conhecidos e possuem o mesmo ciclo reprodutivo da batata cenoura.

Roça nas Escolas

(Foto: Luciana Pires)

A Seder desenvolve ainda, em parceria com a Secretaria Municipal da Educação (Semed), desde 2015, o projeto Roça nas Escolas, no qual os alunos são responsáveis pela produção das culturas e hortas feitas dentro das escolas, tendo o objetivo principal de utilizar os espaços ociosos e torná-los produtivos, incentivando uma agricultura sustentável e agroecológica.

Os técnicos auxiliam os estudantes desde o preparo do solo até a  colheita. Atualmente participam do projeto as ETIs Padre Josimo, Olga Benário, Anísio Teixeira,  Eurídice de Melo, Caroline Campelo, Aprígio de Matos, Sueli Reche, Monsenhor Pedro Pereira, Almirante Tamandaré, Professor Fidêncio Bogo, Daniel Batista, Luiz Nunes e Marcos Freire, também as escolas Monteiro Lobato, Antônio Gonçalves, Mestre Pacífico, Luiz Gonzaga, Maria Rosa, Maria Júlia, Henrique Talone e Lúcia Sales. Além dos Cmeis Pequenos Brilhantes, Pequeno Príncipe, Ana Luiza, Aconchego e Chapéuzinho Vermelho.

*Fonte: Secom/Palmas, com edição de Cerrado Rural Agronegócios