O aumento da floresta nas áreas agrícolas resultou em redução na disponibilidade de água e diminuição dos picos de vazão (Foto: Ascom/Esalq)
O aumento da floresta nas áreas agrícolas resultou em redução na disponibilidade de água e diminuição dos picos de vazão (Foto: Ascom/Esalq)

Da Redação*

Um estudo desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Recursos Florestais, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP) testou se o aumento da floresta nativa em bacia hidrográfica pode ser benéfico e até que ponto isto pode ocorrer quando se pensa em quantidade de água nos riachos. O trabalho é de Lara Gabrielle Garcia com orientação do professor Silvio Ferraz, do departamento de Ciências Florestais.

Diante da recente crise hídrica que se intensificou em algumas regiões do país, a restauração florestal vem sendo incentivada, principalmente com objetivo de aumentar a disponibilidade de água.

– Sabe-se que a floresta tem forte influência no ciclo hidrológico local, no entanto, existem limitações econômicas para o aumento das florestas nas áreas agrícolas, e o planejamento do uso do solo é fundamental nestes locais – disse a pesquisadora.

O aumento da floresta nas áreas agrícolas resultou em redução na disponibilidade de água e diminuição dos picos de vazão. De acordo com a autora, foi observado que existe um limiar de 50% de ocupação na bacia por floresta a partir do qual a disponibilidade de água e os picos de vazões diminuem consideravelmente.

– O aumento da floresta não necessariamente irá resultar em maiores vazões, mas sim em outros benefícios, como a redução dos picos de vazão. Ou seja, a ocupação da bacia de forma planejada pelas florestas nativas pode resultar em diminuição da vazão e melhor distribuição temporal da água – explicou Lara.

Em relação à limitação de aumento da floresta nas áreas agrícolas, foi analisada a mesma quantidade de floresta na bacia hidrográfica. A posição da mesma nas áreas próximas ao rio, apresentou redução na disponibilidade de água e maior redução nos picos de vazão, enquanto que nas demais áreas, como topos de morro e encostas, os efeitos não foram observados.

Segundo a pesquisadora, o local onde se instala a floresta nas áreas agrícolas é importante para a quantidade de água no riacho.

– Diante dos resultados encontrados, é possível concluir que existe uma relação de perda e ganho com o aumento da floresta e sua localização na bacia hidrográfica, sendo necessário aos programas de restauração conhecerem este ponto de equilíbrio para garantir água constante e em abundância nas bacias agrícolas.

Os resultados mostraram que a presença da floresta é essencial para os recursos hídricos, sendo fundamental esta coexistência.

– Por ocuparem pequenas porções das bacias, as florestas não possuem a capacidade de mitigar os efeitos das áreas agrícolas e que é fundamental o correto manejo destas áreas para a conservação de água e solos, potencializando os efeitos das florestas – finaliza a pesquisadora.

*Fonte: Ascom/Esalq, com edição de Cerrado Rural Agronegócios