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Da Redação*

A World-Transforming Technologies (WTT) divulgou, no final de dezembro, os vencedores do edital “Inovação com Sentido para Agricultura Familiar – Desafio Algodão Sustentável”, projeto realizado em parceria com o Instituto C&A e Esplar. As oito iniciativas selecionadas serão implantadas no campo a partir de março de 2019. O edital tem como objetivo superar os principais desafios relacionados à agricultura familiar com aplicação de inovações sociais e tecnológicas voltadas à produção agroecológica do algodão.

O edital tem como objetivo superar os principais desafios relacionados à agricultura familiar na produção de algodão (Foto: Tatiana Cardeal)
O edital tem como objetivo superar os principais desafios relacionados à agricultura familiar na produção de algodão (Foto: Tatiana Cardeal)

– No Instituto, acreditamos que a ação coletiva é a melhor maneira para alcançarmos uma mudança duradoura na indústria da moda; e estamos muito felizes e confiantes com os projetos vencedores. Entendemos que essas iniciativas irão ajudar na superação de desafios enfrentados pelas famílias no cultivo do algodão agroecológico, além de fortalecer o setor na busca por matérias primas mais sustentáveis – reforça Luciana Pereira, Gerente de Matérias-Primas Sustentáveis no Instituto C&A.

O corpo de jurados, composto por 22 especialistas – vindos de academias, empresas de pesquisa, organizações internacionais, empresas, ONGs e órgãos governamentais, recebeu 40 projetos que atendiam aos requisitos básicos do edital. As oito soluções escolhidas vieram de cinco proponentes diferentes, de quatro estados do país.

Abaixo, segue a lista com as oito soluções vencedoras

Tecnificação do Algodão e de Culturas em Consórcios Agroecológicos Via Colheitadeiras Motorizadas, apresentada por Joelcio Carvalho, Engenheiro de Alimentos da LiveFarm, foi a única solução vencedora do estado de São Paulo e propõe a adaptação de modelos de colheitadeiras motorizadas para pequenos produtores algodoeiros em modelos agroecológicos. Com mochilas colheitadeiras equipadas com tubo de sucção, é possível aumentar em mais de duas vezes a velocidade de colheita do algodão, resultando na redução de custos ao agricultor, aumento da produtividade no processo de colheita e maior eficiência no controle de pragas, em especial o bicudo do algodoeiro.

Inventor, Gilberto Barros, do Ceará, teve quatro propostas vencedoras. A primeira delas, Enfardadeira de Algodão Manual, em que sugere que a enfardadeira de acionamento manual pode ser utilizada com algodão em rama e pluma, já que é um equipamento de fácil manuseio e transporte, ideal para enfardar o algodão colhido pelos agricultores antes do transporte para uma unidade de processamento. A segunda, Deslintador de Caroço de Algodão, onde ele propõe o uso do deslintador, equipamento que retira o linter das sementes de algodão através de uma chama ascendente que atua enquanto elas caem em queda livre através de um tubo. O tubo é protegido termicamente através de mantas de lã de rocha para evitar radiação térmica para o operador.

“O objetivo é desenvolver um sistema de gestão de documentos e registros simplificado e acessível aos/às produtores(as), e capacitá-los(as) sobre as práticas necessárias à certificação e à realização dos registros nas unidades produtivas”

Com relação às duas últimas propostas, ambas relacionadas ao beneficiamento do Milho e Gergelim, Barros sugere, primeiro, a prensa hidráulica pneumática para oleaginosas, construída em chapas de aço carbono acompanhada de extrator de óleo em aço inox com capacidade de 30 a 40 litros/dia. Acompanhado de macaco hidráulico manual de seis toneladas para retirar a torta residual do extrator de óleo, o equipamento pode ser utilizado para várias oleaginosas como algodão, gergelim, amendoim, coco e babaçu, entre outros. Em seguida, ele apresenta o Moinho a Martelo para Triturar Sementes, um equipamento que pode ser utilizado para o beneficiamento do milho para produção de fubá, cuscuz e ração animal. O equipamento é construído todo em aço inox 304, acionado por motor monofásico ou trifásico de 2cvs com várias peneiras para variar a granulometria.

Dentro deste mesmo tema, o Diretor do LETS, Mestre em Energias Renováveis, Fellow Ashoka, Flavio Luna, da Paraíba, sugere disponibilizar, por meio de oficinas e assessorias de tecnologias sociais e de micro-geração de energias renováveis apropriadas ao semiárido, condições locais para o beneficiamento de milho e gergelim produzido pela comunidade. O nome do projeto é Tecnologias Sociais e Energias Renováveis aplicadas ao Beneficiamento de Milho e Gergelim.

Moto Roçadeira, apresentado por Adriano Rodrigues dos Santos, Empreendedor na JC Triciclos Agrícolas, de Minas Gerais, propõe que uma motocicleta seja convertida em triciclo e conectada a um equipamento cuja finalidade é realizar o roço no campo. A roçadeira tem acionamento mecânico através de cardã, e dimensões que permitem o seu uso em consórcios agroecológicos de pequena escala.

Simplificação de processos e registros da avaliação da conformidade orgânica na OPAC Crateús, indicado pelo Engenheiro Agrônomo especialista em Agroecologia, Laércio Meirelles, do Rio Grande do Sul, propõe que, através de uma série de visitas a campo, será feita uma capacitação com aspectos que podem simplificar a dinâmica de certificação em andamento, à luz da legislação vigente e adaptado às realidades sócio-culturais da região. O objetivo é desenvolver um sistema de gestão de documentos e registros simplificado e acessível aos/às produtores(as), e capacitá-los(as) sobre as práticas necessárias à certificação e à realização dos registros nas unidades produtivas.

Sobre o Instituto C&A

O Instituto C&A atua na promoção de uma indústria da moda mais justa e sustentável no Brasil. A organização, que se integrou à C&A Foundation em 2015, foca suas ações em cinco áreas: Incentivo ao Algodão Sustentável, Melhores Condições de Trabalho, Combate ao Trabalho Forçado e ao Trabalho Infantil, Moda Circular e Fortalecimento de Comunidades. Nos seus 26 anos de história, apoiou projetos na área de educação, temática que seguirá apoiando até 2018. A instituição oferece apoio técnico e financeiro e atua em rede para permitir que organizações sociais, marcas e outros agentes de transformação construam uma indústria da moda melhor.

Saiba mais em: www.institutocea.org.br

*Fonte: Ascom da fonte, com edição de Cerrado Rural Agronegócios

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