Da Agência Embrapa de Notícias*

Pela primeira vez, a Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO) marcou presença no Show Rural, evento organizado pela Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel), no Paraná. Tradicional entre os grandes eventos agropecuários do país, neste ano aconteceu de segunda (3 de fevereiro) a sexta (7).

A zootecnista Marcela Mataveli, que trabalha na área de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura, apresentou a piscicultura em formato de realidade virtual.

– A tecnologia é uma ferramenta de capacitação, de formação de pessoas, que demonstra a qualidade de água – disse Mataveli.

Marcela explica que, no contato direto, sempre houve dificuldade em fazer com que os produtores entendam a dinâmica do peixe. O fato de ele ficar dentro da água, onde precisa respirar, se alimentar, fazer suas necessidades fisiológicas e, claro, crescer. Esse contexto todo, agora com a realidade virtual, fica mais fácil de ser compreendido.

– Na realidade virtual, a gente consegue explicar os dois principais problemas de qualidade de água, que são o oxigênio dissolvido e a amônia. Consegue também explicar que uma das soluções é o aerador – comentou.

Experiência 

A ideia é que os visitantes do Show se sentissem  dentro de um viveiro de criação de peixes.

– A gente tem dificuldade de observar o peixe porque o viveiro sempre tem água e a água sempre fica esverdeada. Dessa forma (com a realidade virtual), a gente consegue demonstrar pros visitantes; inclusive, consegue nadar do lado dos peixes – explica Marcela.

“A zootecnista Marcela Mataveli, que trabalha na área de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura, apresentou a piscicultura em formato de realidade virtual” (Foto: Carina Rufino)

Essa é uma tecnologia fruto do BRS Aqua, principal projeto da Embrapa em aquicultura. Com mais de 20 Unidades e cerca de 270 empregados envolvidos, ele conta com três fontes de financiamento: o Fundo Tecnológico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Funtec / BNDES); a Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SAP / Mapa, dinheiro que está sendo executado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq); e a própria Embrapa.

O BRS Aqua é um projeto de caráter estruturante, sobretudo em termos de campos experimentais e laboratórios, além de ter forte caráter de capacitação de recursos humanos especializados em aquicultura, envolvendo a formação e o desenvolvimento de bolsistas e estagiários. E, naturalmente, tem caráter mais técnico, ao estudar e buscar soluções para diferentes áreas do conhecimento em aquicultura, com destaque para nutrição, germoplasma, sanidade, tecnologia do pescado e manejo e gestão ambiental.

A pesquisadora Lícia Lundstedt, da Embrapa Pesca e Aquicultura, lidera o projeto, cujo nome oficial é “Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil”. O BRS Aqua trabalha com quatro espécies aquícolas (tilápia, tambaqui, camarão cinza e bijupirá). Elas se encontram em diferentes estágios de desenvolvimento do chamado pacote tecnológico, que são referências de produção e manejo a que os produtores precisam estar atentos para sucesso na atividade.

A realidade virtual que foi apresentada, pela primeira vez, no Show Rural Coopavel foi idealizada por três áreas da Embrapa Pesca e Aquicultura: Transferência de Tecnologia, Comunicação e Pesquisa. O BRS Aqua foi o projeto que custeou financeiramente seu desenvolvimento.

A proposta é que essa tecnologia seja demonstrada em outros eventos pelo país, facilitando o entendimento de aspectos importantes da produção aquícola de qualidade. Em breve, a realidade virtual em aquicultura da Embrapa estará disponível gratuitamente na internet.

*Com edição de Cerrado Rural Agronegócios