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Visita de tilapicultores de Brasília a agroindústria de peixe no Toicantins, organizada pelo Sebrae-DF e Cerrado Rural Agronegócios/PISCISHOW (Foto: Antônio Oliveira/CDI-Cerrado Rural Agronegócios)
Visita de tilapicultores de Brasília a agroindústria de peixe no Toicantins, organizada pelo Sebrae-DF e Cerrado Rural Agronegócios/PISCISHOW (Foto: Antônio Oliveira/CDI-Cerrado Rural Agronegócios)

Nestes mais de 15 anos de existência da revista Cerrado Rural Agronegócios, fundada e dirigida por este editor, ela sempre levantou bandeiras em causas do desenvolvimento social e econômico, baseadas nos agronegócios e na agricultura familiar. O levantou por acreditar que quando se empreende numa área que envolve interesses sociais e econômicos, não se pode agir visando apenas o lucro, mas também se engajando em interesses coletivos em benefício da sociedade em que se opera, com responsabilidade e zelo pela imagem e ação dos agentes de desenvolvimento, quer seja na iniciativa privada, quer seja nos poderes públicos.

Por iniciativa própria ou provocada, a Cerrado Rural Agronégocios (cujo pensamento é o meu e o meu pensamento é o dela) nunca agiu e nem vai agir só nessas iniciativas. Busca a parceria dos poderes públicos e de instituições privadas também comprometidos com o progresso de um povo, por meio dos setores produtivos. Parcerias que, ao longo desses 15 anos, trouxe muitos resultados em forma de investimentos, difusão de novas tecnologias, integração e informação da macro região onde a revista tem seu foco, o MATOPIBA.

Visita de produtores rurais do Paraná a projetos agrícolas no Tocantins (Foto: Antônio Oliveira/CDI-Cerrado Rural)
Visita de produtores rurais do Paraná a projetos agrícolas no Tocantins (Foto: Antônio Oliveira/CDI-Cerrado Rural)

A mais recente bandeira levantada por Cerrado Rural Agronegócios, foi a da piscicultura no Tocantins, sobretudo para a liberação do cultivo na tilápia no estado.  Vale lembrar que até há 2 anos atrás, este editor, que representa a revista – e revista que representa o pensamento de seu editor -, era contra a introdução desta espécie exótica. Porém, diante do forte interesse, principalmente de piscicultores de outras partes do Brasil e do mundo, em produzir a tilápia em águas dos lagos de usinas hidroelétricas deste estado, eu saí da comodidade da minha sala de trabalho, da minha cidade, e fui conhecer polos de produção de tilápia em várias partes do Brasil – da alevinagem, à produção final (o abate e a filetagem); polos onde esta cadeia é bem verticalizada, como Santa Fé do Sul, no interior de São Paulo, Aparecida do Taboado, no Mato Grosso e em Serra da Mesa, no Goiás; conversei com acadêmicos da área, pesquisadores, produtores, empregados neste setor, etc. Concluí que a tilápia não é o que ambientalistas e alguns piscicultores de nativos dizem ou pensam que é e juntei-me aos defensores da tilápia – empresários do ramo, associações do setor -, e me mantive sempre – representando o pensamento da minha revista –,  atento e cobrando dos órgãos ambientais – no caso IBAMA, COEMA, Secretaria do Meio Ambiente e Naturatins, estes três últimos no Tocantins, a inserção do estado no cenário nacional da tilapicultura. Demos ênfase à tilapicultura no PISCISHOW, um dos eventos da revista. Sabia que estava em jogo milhares de empregos a serem gerados por meio de uma produção que pode chegar a 200 mil toneladas/ano de tilápia e algo em torno de R$ 1 bilhão por ano, conforme a Associação Brasileira de Piscicultura (PEIXE BR) – outro baluarte desta luta, assim como o foram a Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO), principalmente, por meio do ex-chefe geral, Carlos Magno, e do atual (interino), Alexandre freitas. Paralelo a isto, não nos enganemos, o fomento da cadeia do peixe, como um todo no Estado. Os nativos que têm que ser produtivos e para isto precisa de investimentos em pesquisas e manejo. E de dinheiro.

A partir desta conscientização, levei produtores, secretários e técnicos de Estado, pesquisadores e jornalistas para conhecerem um dos polos de produção de tilápia; ajudamos a organizar caravanas de produtores de tilápia de outros estados para conhecer o potencial do Tocantins para esta cultura. Não foi fácil. Me indispus com produtores e aguerridos defensores do peixe nativo e, para mim, o que foi pior, com pessoa que tenho muito respeito, consideração e carinho, tendo-a como meu melhor amigo. Não é fácil, numa batalha por uma causa, estar do lado oposto de quem se quer bem. Tentamos conscientizá-lo, também. Mas em vão. Contudo respeitou meus ideais. Mas eu sabia o que estava fazendo para a atual e futuras gerações na região do MATOPIBA.

Visita de tilapicultores de Brasília a agroindústria de peixe no Toicantins, organizada pelo Sebrae-DF e Cerrado Rural Agronegócios/PISCISHOW (Foto: Antônio Oliveira/CDI-Cerrado Rural Agronegócios)
Visita de tilapicultores de Brasília a agroindústria de peixe no Toicantins, organizada pelo Sebrae-DF e Cerrado Rural Agronegócios/PISCISHOW (Foto: Antônio Oliveira/CDI-Cerrado Rural Agronegócios)

Essa luta valeu a pena, saímos vitoriosos. Saímos, não apenas eu e minha revista, mas todos aqueles que levantaram bandeira na defesa deste ideal. O COEMA liberou, nesta semana, o cultivo da tilápia no Tocantins, colocando este em condições de igualdade em relação a outros estados produtores.

É esperar, agora, que o Estado tocantinense tire os pés do chão e leve à frente esta decisão. Tocantins tem condições de ajudar a projetar o Brasil no ranking internacional de grandes produtores de pescados em águas continentais.

Antônio Oliveira

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