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A primeira edição de Cerrado Rural Agronegócios foi um marco no jornalismo de agronegócio no Norte e Nordeste do Brasil (Foto: Antônio Oliveira)
A primeira edição de Cerrado Rural Agronegócios foi um marco no jornalismo de agronegócio no Norte e Nordeste do Brasil (Foto: Antônio Oliveira)

Por Antônio Oliveira

Neste dia e mês de 2013 chegava às bancas de revistas e, de forma direta, aos profissionais voltados para os agronegócios e agricultura familiar no Tocantins, a primeira edição da revista Cerrado Rural Agronegócios – que nasceu Centro-Norte Agronegócios. A publicação surgiu como resultado de uma crise no mercado jornalístico e publicitário, nos quais nós atuávamos, no Tocantins, e que exigiu de nós equilíbrio e criatividade. Já com algum tempo de atuação no setor, inclusive, a convite do banco japonês Jica; da Companhia de Promoção Agrícola (Campo); da Secretaria de Planeamento do Estado da Bahia e Companhia de Ação Regional do Estado da Bahia (Car), acompanhando o processo de implantação do Prodecer II, no oeste da Bahia, em 1985, a partir de uma visita ao Prodecer I, no noroeste de Minas, conhecendo sua importância social e econômica para a região, com o objetivo traçado de multiplicar, de forma consciente estas informações, quebrando as barreiras do preconceito e dos equívocos de ordem ambiental.

25348804_1782691415137613_1705764527322020913_nFoi uma das nossas grandes experiências de vida e de profissão. Com esta e outras bagagens nestes dois setores e percebendo que o Tocantins estava iniciando no cultivo de grãos – soja e milho -, com apenas 140 mil hectares plantados, mas com uma perspectiva muito grande de se projetar no Brasil e no mundo como um dos maiores produtores agrícolas, pegamos uma motoneta (a Vespa italiana), ano 1988, havia anos sem revisão, colocamos uma filha fotógrafa na garupa e cortamos o Tocantins na direção de seus principais polos de produção – a região de Pedro Afonso e Campos Lindos -, saindo no sul do Maranhão, reportando o início do novo filão econômico do Tocantins. Foi uma doce loucura, até caímos num rio com moto, filha e tudo.

O que era para ser apenas um documentário impresso, transformou-se numa revista com projeto de ser mensal e voltada para os dois estados irmãos – Tocantins e Goiás -, por isto o nome Centro-Norte Agronegócios. Porém, a partir de sua terceira edição, ela, de forma espontânea, tomou os rumos do sul do Maranhão e oeste da Bahia, o que fez com que nós mudássemos o nome para Cerrado Rural Agronegócios, com o mote “A revista do BAMAPITO”, que era como nós chamávamos a união dos estados de Cerrado no Norte e Nordeste do Brasil – com a resistência da Embrapa e do Ministério da Agricultura, que preferiam MATOPIBA. Mas a Revista foi, entre as outras mídias em todo o Brasil a primeira a bater na tecla da união das regiões de Cerrado dos quatro estados. Mais tarde, com a oficialização da região, tivemos que ceder e nosso mote foi trocado por “A revista do MATOPIBA”. E seguimos fieis a esta proposta.

CAPASe nos perguntarem, hoje, o que temos a comemorar nestes 15 anos de existência da Revista, diríamos que muita coisa para processo do desenvolvimento do agronegócio e da agricultura familiar na região; na atração de investimentos; difusão e introdução de novas tecnologias e no surgimento de projetos estruturantes em benefício, não só dos agronegócios, mas da Economia regional como um todo. São realizações que não contabilizamos sozinhos, mas em parceria com governos (principalmente com o Estado do Tocantins) e instituições privadas, principalmente do Sul e do Sudeste do Brasil. Somos felizes por isto e evitamos sempre citar e relacionar essas conquistas para não gerar ciúmes na cabeça de políticos mesquinhos – nem todos. É nossa missão e visão.

Quanto para nós, particularmente, comemoramos apenas o crescimento, a consolidação, a credibilidade, por meio da dedicação, responsabilidade e qualidade do produto Cerrado Rural Agronegócios. A ele acrescentamos outros produtos, como meio de agregação de valor e maior contribuição com o desenvolvimento dos agros e agroindústrias na região do MATOPIBA: dois sites, os eventos PISCISHOW e AVISULETE e cursinhos na área dos agros.

Grande engano, estamos mais presentes que as grandes revistas de agronegócios, em cobertura jornalística e em circulação”

Por outro lado – o das parcerias com líderes, empresas e associações dos agronegócios na região –, há muito pouco a ser comemorado. Para sermos sincero, há sim, muita decepção, frustrações e desencanto, com líderes e instituições representativas dos agros. Mas, com estes, não com o contexto do agronegócio, que acreditamos ser uma das principais ferramentas garantidoras do bem estar social e econômico do Planeta.

No Sul e no Sudeste do Brasil, onde se concentram a maioria das grandes empresas voltadas para os agros; os grandes veículos de comunicação especializados neste setor e as agências de publicidade, eles acreditam piamente, que os veículos regionais especializados não existem nos grotões brasileiros e se existem não tem a menor influência. Grande engano, estamos mais presentes que as grandes revistas de agronegócios, em cobertura jornalística e em circulação.

“Temos responsabilidade com os dois setores, não com equivocados líderes, e é o que sabemos fazer, com amor, paixão, dedicação e consciência de nossa responsabilidade”

Por aqui, as instituições e lideranças dos agronegócios são ingratos, arrogantes e egoístas; não sabem se comunicar; não têm estratégia de marketing. Não fazem orçamento para publicidade e marketing e quando recebem uma proposta de veiculação de publicidade, nos coloca preço bem inferior, quando não vêm com a ignorância e a humilhação do “vou te dar uma ajudazinha”. Enfim, não são companheiros daqueles – não só do nosso trabalho – que estão voltados para eles. Esta é a realidade e que dói muito.

Consequência de tudo isto, lá nos brasis do Sul e do Sudeste, e por aqui, nos grotões? Os agros apanhando da falta de conhecimento da sociedade urbana sobre a dinâmica do campo e da ignorância e estupidez de pseudos ecologistas.

Motivos sempre tivemos e temos para boicotar um ou outro que nos ver com indiferença e até com perseguições, mas jamais fizemos ou faremos isto. Eles podem não gostar de nós ou não ter visão de comunicação e marketing, contudo representam uma classe de fundamental importância para a região, para o Brasil. Têm seus espaços garantidos para informar.

Parar nosso trabalho e partir para outro ramo, o da editoria política, por exemplo, por causa dessas indiferenças? Não! Acreditamos muito e somos apaixonados pelo agronegócio e pela agricultura familiar. Temos responsabilidade com os dois setores, não com equivocados líderes, e é o que sabemos fazer, com amor, paixão, dedicação e consciência de nossa responsabilidade.

Capa-A-936x1024Vamos continuar a erguer bandeiras, como a que estamos empunhando atualmente, o da Piscicultura, não apenas em nosso benefício, mas da sociedade e de seus segmentos econômicos.

Vamos em frente com o que acreditamos muito: a nossa proposta empreendedora, os nossos focos.

 

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