Por Antônio Oliveira

Pátio Multimodal Porto Nacional, destino da produção de Palmas. (Foto: Secom/TO)
Pátio Multimodal Porto Nacional, destino da produção de Palmas. (Foto: Secom/TO)

A menos que o prefeito Carlos Amastha, de Palmas (TO),  blefou para provocar o governador Marcelo Miranda, seu desafeto político por obra e graça da ministra Kátia Abreu, a qual ele segue politicamente atualmente, seu decreto que proibirá o tráfego de caminhões e carretas na capital tocantinense será um ato, no mínimo, de falta de bom senso e visão de uma realidade da qual Palmas se beneficia: a produção de grãos em suas terras altas (região de Buritirana), onde se cultiva cerca de 15 mil hectares, com espaço para produzir muito mais. É claro que a circulação de pesados, como carretas comuns, bitrens e tritrens, na cidade tumultua o trânsito, degrada mais rápido a pavimentação e põe em risco o trânsito de pedestres. Mas esta proibição vai causar transtornos em outra ponta, com consequências para todos.

Suposto decreto foi anunciado por ele no último dia 29, em coletiva de imprensa, respondendo a perguntas de Cerrado Rural sobre agronegócio. O decreto, segundo ele, seria assinado naquele mesmo dia.

Proibir que o escoamento da produção daquela região e, também, de parte da produção de Porto Nacional passe pela cidade de Palmas é onerar os custos dos produtores rurais com frete e, via de regra, da competitividade e da atração de novos produtores para a região, principalmente da de Buritirana.

Sem passar pela cidade de Palmas, a produção, para chegar até ao terminal de exportação mais próximo, em Luzimangues, terá que fazer um percurso longo: Lajeado/Miracema/Miranorte/Paraíso do Tocantins/Luzimangue, num percurso de mais ou menos 200 quilômetros, em média 140 a mais que o trajeto pela cidade de Palmas. Pensemos nisto.

É certo que a responsabilidade é do Governo do Tocantins, cujos governadores não se empenharam ou não planejaram para o futuro em relação a Palmas e região de Porto como produtores agrícolas com a capital do Tocantins no caminho entre os campos de produção e os portos de exportação. Errou Siqueira Campos em seus quatro mandatos, errou Moises Avelino; errou Marcelo Miranda em seus três mandatos.

Porém, tal proibição, só resolve o problema da cidade e cria outro muito maior fora dela, mas no contexto dela.

Prefeito Carlos Amastha e governador Marcelo Miranda devem sentar-se à mesa e conversar, buscar a solução do problema até que o Estado e o País saiam desta crise e tenha condições de construir o anel viário da Capital. Em nota enviada à nossa redação, o Governo do Estado informou que a contrapartida alegada por Amastha é da ordem de R$ 50 milhões, dinheiro que o Estado não tem e não terá em caixa tão cedo. Há outras prioridades no setor de infraestrutura que vão beneficiar muito mais tocantinenses, disse o governo estadual.

Acredito que a solução provisória, para não causar mais transtornos ao contexto geral seria a seguinte:

Estabelecer como rota obrigatória dos caminhões e carretas que partem das regiões de Buritirana e Porto Nacional com destino ao Pátio Multimodal da Ferrovia Norte-Sul em Luzimangues a TO-050, seguindo sentindo norte até ao trevo de acesso a LO – 18 e NS 15 (Avenida Parque)/Avenida JK, um pouco acima do Shopping Capim Dourado/Ponte da Amizade/TO- 080/Pátio Multimodal.

O problema não é só de Palmas e esta é quem atravessou o caminho da produção.

Mas, tudo me levar a crer que o prefeito Carlos Amastha blefou. No dia seguinte a publicação da matéria sobre o assunto neste site, procuramos a Secretaria de Comunicação de Palmas em busca de informação sobre esse decreto. A Pasta não respondeu. Procuramos o Prefeito, por meio do privado numa rede social. Também não respondeu.

Brabo é sentir-se usado para provocações políticas. Blefe irresponsável e antiético.