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Da Agência Embrapa de Notícias*

Uma parceria entre a Embrapa, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA) acaba de aprimorar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático do Arroz Irrigado no Rio Grande do Sul (ZARC Arroz Irrigado/RS). A nova tecnologia agora incorpora o SimulArroz, um modelo de simulação desenvolvido pela universidade gaúcha que estima a produtividade do cereal em diferentes regiões do estado.

 Agora, é possível estimar a produtividade do arroz irrigado em diferentes regiões gaúchas(Foto: PauloLanzett)
Agora, é possível estimar a produtividade do arroz irrigado em diferentes regiões gaúchas(Foto: PauloLanzett)

A versão anterior do ZARC levava em consideração temperatura do solo, temperatura mínima do ar e radiação solar durante as fases críticas da planta e dados médios de produtividade obtidos em experimentos de campo para estabelecer os períodos de semeadura. Com o SimulArroz, o novo modelo apresenta mais precisão e oferece mais resultados ao usuário.

Agora, é possível estimar a produtividade do arroz irrigado em diferentes regiões gaúchas e, assim, estabelecer níveis de risco de 20%, ou 80% de sucesso; 30% (70% de sucesso) ou 40% (60% de sucesso) com base em cálculo matemático que leva em consideração as produtividades relativas dos últimos 30 anos de acordo com o período de semeadura, os dados climáticos e o grupo de cultivares em cada município produtor.

Desenvolvidos pela Embrapa e instituições parceiras, desde 1996, os Zoneamentos Agrícolas de Risco Climático indicam ao produtor o período mais adequado para realizar a semeadura, minimizando os riscos em função de eventos climáticos adversos, mas sem considerar uma simulação de produtividade, como faz o novo modelo. Os dados também permitem a instituições financeiras e ao governo verificar se os produtores obedecem aos períodos corretos de semeadura e, assim, embasar a concessão de crédito para implantação das lavouras, além de prever a cobertura por seguro desses créditos em caso de perdas, como é o caso do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

Aprimoramento do seguro agrícola

Segundo o pesquisador da Embrapa Clima Temperado (RS) Silvio Steinmetz, a novidade em se estabelecer níveis de risco a partir da simulação de produtividade é a possibilidade de, futuramente, realizar o seguro agrícola em função da possível renda do produtor, em vez do modelo atual que garante a cobertura apenas do crédito adquirido para o estabelecimento das lavouras.

– Se o produtor perdeu por questão climática, pode solicitar a cobertura. Só que os seguros hoje cobrem mais o financiamento do que a renda. Mas, se o produtor perder, não perde apenas a parte financiada da lavoura. Então, para assegurar a renda, é necessário se trabalhar com níveis de risco e de produtividade –  explica.

– Esse é o primeiro zoneamento agrícola de risco climático no Brasil baseado em produtividade estimada por modelo de simulação de processos – afirma Steinmetz.

Os zoneamentos anteriores também indicavam um calendário de semeadura com menor risco climático, porém, sem utilizar simulação, mas baseando-se em experimentos de campo.

– Em função da probabilidade de ocorrência de variáveis como temperatura do solo, temperatura mínima do ar e radiação solar nas fases críticas da planta e dos dados experimentais de épocas de semeadura, se definiam os períodos de semeadura mais adequados para cada grupo de cultivar – conta o cientista sobre a versão.

Agora, as estimativas de produtividade do SimulArroz é que serão levadas em consideração. O sistema foi desenvolvido, calibrado e validado para o Rio Grande do Sul pela UFSM. O modelo consegue prever o desenvolvimento em condições de campo considerando fatores relacionados ao solo, clima e planta, bem como ao manejo da cultura; e estimar a produtividade, ou rendimento, tanto para uma determinada cultivar como para grupos de cultivares.

A elaboração de zoneamentos que indiquem os períodos recomendados de semeadura é importante, porque, apesar de o Rio Grande do Sul ser o maior produtor de arroz irrigado do Brasil, responsável nas últimas safras por cerca de 70% da produção nacional, há uma variabilidade razoável de produtividade nas lavouras ao longo dos anos em função das condições climáticas. De acordo com Steinmetz, a Embrapa ainda está desenvolvendo um projeto para criar um modelo semelhante para as culturas de sequeiro, como arroz, feijão, soja e milho – que atualmente utilizam o modelo de balanço hídrico para indicação de riscos, de acordo com a época de semeadura.

ZARC: 22 anos avaliando riscos da lavoura

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) teve início no Brasil na safra de inverno de 1996 para a cultura do trigo. Nas safras de verão de 1996/1997 foi ampliado para as culturas do algodão, feijão, milho, soja e arroz irrigado, inclusive no Rio Grande do Sul.

As lavouras de sequeiro de algodão, arroz, feijão, milho e soja passaram a utilizar o ZARC na safra de verão 1997/1998.

Atualmente, a tecnologia abrange 25 estados e mais de 40 culturas e é uma das mais importantes ferramentas utilizadas pelos sistemas bancário e securitário para concessão de créditos e avaliação de seguro rural. Hoje, o ZARC é considerado um importante auxílio a essas instituições que, antes de sua criação, não tinham como avaliar os riscos agrícolas para cada cultura, o que exige cálculos com diversas variáveis e que se alteram para cada região.

*Com edição de Cerrado Rural Agronegócios

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